O negacionismo dos que tentam engolir Flávio Bolsonaro. Por Moisés Mendes

O pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Sergio Lima/AFP

Flávio é como as figuras dos circos de horrores de antigamente. Todos sabem que ele é uma aberração política, mas querem vê-lo de perto para saber como se comporta. Os que se aproximam também fazem parte de um teatro de verdades e fingimentos.

Flávio é peludo e tem garras, mas finge que é fofo, democrata e moderado, que é liberal e que é até humanista. E muita gente finge acreditar que ele possa ser tudo isso. É extremista e assustador, mas nunca será como foi o pai abominável, cruel e sem escrúpulos.

É o que pode ter acontecido essa semana em almoço de mulheres empresárias do Grupo Voto, em São Paulo. As anfitriãs ouviram de Flávio que ele é um caçador de bandidos do crime organizado. E que Lula, por se opor à classificação desses bandidos como terroristas, como Trump deseja, “parece ser o chefe do PCC”.

Mulheres empresárias foram ouvir essa conversa na segunda-feira. Nessa terça, leram nas manchetes dos jornais que um ex-chefe de investigações contra o tráfico, da polícia civil de Tarcísio de Freitas, era infiltrado do PCC.

O investigador e um ex-estagiário atuavam dentro da polícia. O crime organizado que Flávio diz combater é parte da polícia de Tarcísio e está dentro da Faria Lima que trabalha para o bolsonarismo e treina até estagiários para o PCC. Mas senhoras empresárias podem ter fingido acreditar, como quase toda a direita finge, que Lula é o cara envolvido com o PCC.

É quase idêntica a situação do eleitor que chamam genericamente de independente, essa entidade quase mitológica da política brasileira. O eleitor até agora indeciso e sem candidato teria demonstrado espanto, expresso em pesquisas, com o fato de que Flávio é amigo-irmão do banqueiro mafioso Daniel Vorcaro.

O eleitor independente se espanta porque ele e as executivas e empresárias são da mesma turma dos crédulos inocentes. Dizem não saber direito quem é Flávio Bolsonaro. Os cientistas informam que esse eleitor representa até um terço dos brasileiros. É a figura mais arrogante e pernóstica do eleitorado.

Ilustrativa
Daniel Vorcaro, do Banco Master. Foto: Divulgação/Banco Master

Esse eleitor blasé não diz em quem vai votar, enrola até parentes e amigos e tenta passar uma sabedoria que os eleitores já engajados não teriam. O eleitor independente e as empresárias em dúvida se consideram protagonistas numa eleição.

Mas são apenas figurantes que ajudam, com seus vacilos, a esclarecer muita coisa do que ainda é confuso. Precisamos reconhecer a contribuição do indeciso ao esforço para a compreensão desse muro de fingimentos. Eu não sei, eu preciso ver de perto, eu só confio ouvindo suas propostas.

Mas os eleitores independentes e as empresárias sabem, no que importa, quem é Flávio Bolsonaro. Sabem que propostas são conversas vagas e sem fundamento. Os negaceios dos indecisos ajudam a lançar luzes no teatro da campanha já deflagrada. A contribuição é essa: um terço da população simula desconhecimento sobre o que é bem conhecido.

Sabemos que poucos não sabem de fato quem é, na essência, o candidato Flávio Bolsonaro. Sabem o que fez e o que fará, ao completar agora 23 anos de política. Sabem tudo sobre o pai dele. Sabem muito bem dos irmãos e das estruturas políticas que os sustentam.

E todos sabem quem é Lula. Mas um terço da população se diz independente e/ou indecisa, sob o pretexto de que tomará uma decisão na última hora, porque só às vésperas do voto terão certezas que ainda não se apresentaram.

E eles sabem que Flávio é o cara com vínculos provados com o crime organizado e com o que especialistas em segurança definem como organizações milicianas e mafiosas, e não como terroristas. Flávio nem tem condições de ser terrorista.

E sabem que Lula tem se esforçado para combater essas organizações criminosas que agem por toda parte, no mercado financeiro da Faria Lima bolsonarista e na polícia do bolsonarista Tarcísio de Freitas.

O eleitor independente e a elite em ‘dúvida’, diante de uma escolha difícil, não são, é claro, a mesma pessoa, até porque há muitos pobres entre esses indecisos. O que há em comum entre eles é a certeza de que a dúvida é apenas uma desculpa, quando a verdade é desconfortável.

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-negacionismo-dos-que-tentam-engolir-flavio-bolsonaro-por-moises-mendes/