Produtora de “Dark Horse” desviou dinheiro do Sesi e era investigada há quase uma década

Karina Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: reprodução

Karina Gama, dona da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, já era alvo de apurações sobre mau uso de dinheiro público havia quase uma década quando passou a fechar contratos com aliados do bolsonarismo. A informação foi revelada pelo The Intercept Brasil e confirmada por relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre a atuação do Instituto Conhecer Brasil, comandado por ela.

A empresária foi chamada de “trabalhadora” e “decente” pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB-SP). No entanto, documentos da CGU apontam suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos em contratos firmados pelo instituto com o Sesi. As irregularidades mencionadas pelos auditores datam de 2019.

Karina se aproximou de setores da direita por meio da religião e de um núcleo de influenciadores e políticos conservadores. A partir daí, passou a firmar contratos milionários com o poder público mesmo já sendo citada em processos e investigações. O Instituto Conhecer Brasil e a produtora ligada ao filme “Dark Horse” funcionam no mesmo endereço e compartilham estrutura digital.

Um dos pontos destacados pelos auditores federais envolve uma licitação vencida pelo Conhecer Brasil no Sesi. A ONG subcontratou uma empresa para prestar serviços milionários, mas essa firma estava registrada no mesmo logradouro da entidade comandada por Karina.

“Esta última empresa foi selecionada pelo Instituto Conhecer Brasil para montar a infraestrutura e realizar a divulgação da 9ª Feira da Cidadania – Pará. Com base em informação da Receita Federal do Brasil há relação entre as duas últimas empresas. Elas estão localizadas em endereços semelhantes. (…) Ou seja, o que diferencia os endereços das firmas é o número das salas”, registrou um auditor em inspeção publicada em 2021.

Jim Caviezel caracterizado como Jair Bolsonaro
Jim Caviezel caracterizado como Jair Bolsonaro – Divulgação

Durante o governo Bolsonaro, os negócios de Karina se ampliaram. Antes concentradas em contratos de dezenas de milhões de reais, suas empresas passaram a disputar projetos de valores mais altos, incluindo acordo com a Prefeitura de São Paulo, já na gestão Ricardo Nunes, para implementação de sinal público de internet. A Polícia Civil apura suspeitas de que o serviço não foi entregue em várias áreas da capital.

O caso ganhou nova dimensão após a revelação de áudios e documentos sobre o financiamento de “Dark Horse” por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As suspeitas, que antes envolviam sobrepreço ou superfaturamento de cerca de R$ 1,5 milhão em serviços da ONG, agora passaram a ser analisadas em um contexto de contratos e repasses muito maiores.

Karina se aproximou do bolsonarismo por meio do deputado Mário Frias (PL-SP) e de setores do MDB. Ainda assim, segundo os relatórios, a CGU já recomendava cautela em novas contratações com entidades ligadas a ela.

“Diante do exposto, concluiu-se que as irregularidades apontadas nos exames realizados (…) comprometeram o acompanhamento e fiscalização dos objetos pactuados e não observaram o atraso na análise da prestação de contas dos Contratos de Patrocínios SESI-CN 034/2018 e 045/2018”, diz o documento.

O próprio Sesi passou a recomendar a não contratação da ONG. “Na ocasião, no tocante aos patrocínios, duas foram as iniciativas imediatamente adotadas, por orientação da alta administração: a) cessar a celebração de novos patrocínios, tendo em vista que a celebração de tais negócios não se enquadrariam dentre as atribuições institucionais do Conselho; e b) imprimir maior robustez no processo de prestação de contas dos patrocínios que já estavam em andamento”.

Hoje, as atividades de Karina são alvo de apurações da Polícia Federal, da Polícia Civil de São Paulo e do Supremo Tribunal Federal. As investigações miram contratos públicos, suspeitas envolvendo o Instituto Conhecer Brasil e a estrutura usada na produção do filme sobre Bolsonaro.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/produtora-de-dark-horse-desviou-dinheiro-do-sesi-e-era-investigada-ha-quase-uma-decada/