Indústria do RN tem pior desempenho do país e recua 13,6% em abril, aponta IBGE

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A produção industrial do Rio Grande do Norte registrou em abril a maior queda do País na comparação com o mesmo mês de 2025. O recuo de 13,6% foi puxado principalmente pela retração na fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que caiu 27,8% no período. Os dados foram divulgados nesta terça-feira 9 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional.

O desempenho negativo do Estado contrasta com o cenário nacional. No mesmo período, a indústria brasileira cresceu 2,7%, com expansão em 12 dos 18 locais pesquisados. Os maiores avanços foram observados no Espírito Santo, com alta de 32,9%, e no Rio de Janeiro, que registrou crescimento de 10,1%, impulsionados principalmente pelas atividades ligadas à extração de petróleo, gás natural e derivados.

Segundo o analista do IBGE Bernardo de Almeida, a retração potiguar foi influenciada principalmente pela queda na produção de óleo diesel. O setor de alimentos também contribuiu para o resultado negativo, ainda que em menor intensidade.

“O desempenho do Estado foi puxado pelo setor de derivados do petróleo, com queda, principalmente, na produção de óleo diesel, e pelo setor de alimentos, em menor magnitude, com redução na produção de castanha de caju beneficiada, sorvetes, picolés e produtos gelados comestíveis e balas e outros confeitos sem cacau”, explicou o pesquisador.

A fabricação de produtos alimentícios voltou a registrar resultado negativo em abril, com retração de 1,7%. O setor havia apresentado recuperação em março, quando cresceu 2,2%, após dois meses consecutivos de queda. Em janeiro, a atividade havia recuado 7,1%, enquanto fevereiro registrou retração de 17,4%.

Apesar do cenário desfavorável para os principais segmentos industriais do Estado, duas atividades apresentaram crescimento expressivo na comparação anual. A confecção de artigos do vestuário e acessórios avançou 56%, enquanto as indústrias extrativistas cresceram 16,3% em relação a abril de 2025.

Ainda assim, o desempenho positivo desses segmentos não foi suficiente para compensar as perdas observadas nos setores de maior peso na estrutura industrial potiguar. O resultado levou o Rio Grande do Norte ao pior desempenho entre todas as unidades da federação pesquisadas pelo IBGE no mês.

Além do Estado potiguar, também registraram retração na produção industrial em abril o Maranhão (-5,4%), Amazonas (-4,2%), Pernambuco (-3,8%), Pará (-2,8%) e Ceará (-0,4%). Os demais Estados apresentaram estabilidade ou crescimento.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, a indústria potiguar mantém trajetória de forte retração. Entre janeiro e abril, a produção industrial do Estado recuou 17,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado foi influenciado principalmente pela queda de 29,9% na fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis. Também apresentaram desempenho negativo as indústrias extrativistas, com retração de 5,6%, e a fabricação de produtos alimentícios, que caiu 6,2% no acumulado do ano.

A única atividade industrial com crescimento consistente em 2026 continua sendo a confecção de artigos do vestuário e acessórios. O segmento acumula expansão de 41,5% nos quatro primeiros meses do ano, consolidando-se como o principal ponto de sustentação da indústria de transformação potiguar.

O quadro também permanece desfavorável na análise de longo prazo. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em abril, a produção industrial do Rio Grande do Norte registrou queda de 12,4%.

Nesse horizonte, os resultados positivos ficaram restritos às indústrias extrativistas, que avançaram 9,2%, e à confecção de vestuário, que acumulou crescimento de 50,2%. Em contrapartida, a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis apresentou retração de 24,2%, enquanto a produção de alimentos teve desempenho praticamente estável, com variação negativa de 1,4%.

Os dados reforçam a dependência da indústria potiguar em relação ao segmento de derivados de petróleo, cuja volatilidade tem exercido influência decisiva sobre os indicadores gerais do setor. Ao mesmo tempo, evidenciam a dificuldade de recuperação das atividades industriais tradicionais do Estado, mesmo em um contexto de crescimento da produção nacional.

Enquanto Estados como Espírito Santo e Rio de Janeiro foram beneficiados pela expansão das atividades ligadas ao petróleo e ao gás natural, o Rio Grande do Norte seguiu trajetória oposta, ampliando a distância em relação à média brasileira e encerrando abril com o pior resultado industrial do País.

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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/industria-do-rn-tem-pior-desempenho-do-pais-e-recua-136-em-abril-aponta-ibge/