A jornalista Milly Lacombe criticou a presença de anúncios de bets nas transmissões da Copa do Mundo e afirmou que a suposta gratuidade oferecida por canais de TV aberta, fechada e plataformas digitais tem um custo para o público. Para ela, o preço pago pelos telespectadores é a exposição constante a propagandas e chamadas para apostas esportivas durante os jogos.
A Copa é transmitida por diferentes canais e plataformas. Na TV aberta, Globo e SBT têm direitos de exibição de algumas partidas e compartilham conteúdos com canais fechados. A Globo também transmite pelo Sportv na TV fechada e com o GETV no YouTube, enquanto o SBT distribui jogos para a N Sports, emissora que tem Galvão Bueno como um dos sócios.
Milly afirmou que a ideia de transmissão gratuita precisa ser relativizada. “A Copa começou, mas ao contrário do que disseram, não haverá transmissão gratuita, e eu posso provar”, disse. Segundo ela, o público é levado a acreditar que basta ter acesso à internet ou ligar a TV para assistir sem custo, mas as transmissões são atravessadas por publicidade de casas de apostas.
A jornalista destacou que a presença das bets não se limita aos intervalos comerciais. Ela afirma que narradores e comentaristas também chamam o público a interagir com odds e palpites durante os jogos. “Então, o meu argumento aqui é, não tem nada sendo oferecido de graça, o preço é você”, afirmou.
Na avaliação de Milly, o problema é agravado pelo cenário social criado pela expansão das apostas no Brasil. Ela cita endividamento, dependência e perda de renda como consequências do avanço do setor. “A gente sabe qual é o cenário que as apostas trouxeram para o Brasil, né? É uma precarização muito forte da vida social”, disse.
É por isso que tem muita gente que odeia a jornalista Milly Lacombe. Ela fala o que poucos tem coragem de falar sobre as bets, que dominaram o modelo de transmissão da Copa financiado por casas de apostas. O bombardeio de odds e palpites de narradores durante a transmissão dos… pic.twitter.com/QvC9zhjV1V
— Julio Freiress 🇧🇷 (@JFreiress_) June 11, 2026
A jornalista também relacionou a popularização das bets ao acesso facilitado a crédito e à dificuldade econômica de parte da população. “Existem pessoas que perderam tudo, muitas pessoas, existem pessoas que perderam a vida, o nível de endividamento é altíssimo”, afirmou.
Milly argumenta que a forma como as apostas aparecem nas transmissões torna a propaganda ainda mais eficiente, porque muitas vezes surge em tom informal, como se fosse uma conversa entre amigos.
Ela citou situações em que comentaristas discutem placares prováveis antes da entrada de anúncios das casas de apostas. “Fica, é indireto, mas não é tão indireto assim”, avaliou.
Para a jornalista, a combinação entre futebol, linguagem coloquial e facilidade de aposta pelo celular cria um ambiente de risco. “As propagandas precisam ser proibidas, porque elas são um convite para as pessoas irem lá e na palma da mão delas, com dois ou três cliques, apostarem o dinheiro da comida, da conta de luz, da conta de água, ou fazer um empréstimo para apostar”, disse.
Milly afirmou compreender que empresas e veículos queiram acessar parte do dinheiro movimentado pelo setor, mas atribuiu a responsabilidade ao poder público. “A responsabilidade é de quem ainda não regulou e não proibiu propaganda”, declarou.
A crítica da jornalista aponta para um debate que deve acompanhar toda a Copa: a expansão das bets nas transmissões esportivas e o limite entre publicidade, entretenimento e risco financeiro para o torcedor. Para Milly, a promessa de acesso gratuito aos jogos esconde uma cobrança indireta sobre quem assiste. “Então, não vai ter transmissão de graça. Essa é a realidade”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-milly-lacombe-revela-quem-banca-transmissoes-gratuitas-da-copa-do-mundo-o-preco-e-voce/

