As engrenagens da propaganda bolsonarista voltaram a girar no compasso do desespero e da vitimização tática. Encurralada pelo derretimento acelerado nas pesquisas e sob o peso de revelações avassaladoras do submundo dos esquemas financeiros, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República recorreu ao seu mais manjado salva-vidas retórico: o discurso do martírio iminente e as teorias de conspiração em escala global.
Diretamente dos EUA, onde vive foragido da Justiça brasileira, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro acionou a máquina de fumaça ideológica. Em entrevista concedida à Rede Comunica Brasil, o filho 03 do clã ignorou o cerne das denúncias de corrupção que afogam o irmão e preferiu apontar a artilharia contra a esquerda, construindo uma narrativa de que Flávio corre risco real de sofrer um atentado contra sua vida.
O cardápio conspiratório de sempre
A fala de Eduardo segue à risca a cartilha de comunicação do extremismo de direita: quando as evidências de crimes sufocam o debate político, eleva-se o tom do perigo existencial para desviar o foco da opinião pública. Sem apresentar qualquer prova de ameaça concreta, o ex-parlamentar traçou um paralelo rocambolesco entre a situação do irmão e episódios de violência internacionais para tentar justificar seu roteiro de perseguição:
“A gente tem que conhecer contra quem a gente está lutando. Porque já assassinaram o líder da direita lá na Colômbia, o Miguel Uribe Turbay; o Fernando Villavicencio, no Equador. Facada no Bolsonaro, tiro no Trump. E é sempre quem? É sempre alguém de direita. Eu acho que o Flávio tem que tomar muito cuidado com a segurança dele. Cada vez mais vai valer mais a pena assassiná-lo, porque, se tirar Flávio, quem é que resta?”, disse em tom alarmante.
A cortina de fumaça, no entanto, é pouco eficaz para esconder o tamanho da crise estrutural da campanha. O alarmismo de Eduardo surge justamente no momento em que as pesquisas de intenção de voto mostram que Flávio deixou de ser um nome competitivo, rejeitado por uma fatia expressiva do eleitorado que antes flertava com sua candidatura.
O áudio que implodiu a candidatura
O verdadeiro motivo do colapso da pré-candidatura não está em complôs internacionais, mas nas entranhas das investigações que envolvem o Banco Master. A derrocada eleitoral ganhou velocidade após a revelação de um áudio comprometedor no qual Flávio aparece cobrando a vultosa quantia de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, o banqueiro fraudador preso.
A investigação aponta que, desse montante, pelo menos R$ 61 milhões foram repassados sob o pretexto de financiar Dark Horse, uma cinebiografia de tom messiânico voltada a inflar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e em prisão domiciliar por ter tentado dar um golpe de Estado após perder as eleições de 2022.
Com o projeto eleitoral reduzido a escombros e o pessimismo tomando conta das lideranças partidárias, o artifício de agitar o espantalho do atentado político surge como a última e desgastada cartada do clã. Trata-se de uma tentativa desesperada de inflamar a base radicalizada, estancar a perda hemorrágica de votos e, principalmente, blindar o senador de dar explicações reais sobre o rastro de milhões que agora submerge sua biografia.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/campanha-eduardo-bolsonaro-risco-assassinato-flavio/

