Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (15), o ex-deputado federal e ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff Ricardo Berzoini (PT) analisou o avanço da pauta pelo fim da escala 6×1 no Congresso Nacional, o impacto das novas taxas anunciadas por Donald Trump contra o Brasil e os resultados da última pesquisa de intenção de voto para presidente da República.
Berzoini alerta que, se não houver mobilização popular, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pode continuar travando o avanço da PEC da 6×1. Isso porque a realidade eleitoral de Alcolumbre no Amapá tem menos impacto do que em outras regiões do Brasil, de acordo com o ex-deputado.
Além disso, ele cita um “lobby pesado” da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e de outros segmentossegmentos que não querem a aprovação do fim da escala 6×1.
“Não querem aprovar para não dar vitória ao Lula, mas também não querem aprovar porque é aquela visão empresarial tosca que não quer ter um acréscimo de custo de trabalho de 6% a 7% numa empresa onde o peso do custo do trabalho às vezes é menos de 15%, mas não quer ter nem isso”, diz Berzoini.
O ex-deputado destaca que esse lobby pode ser tanto político e honesto quanto feito por promessas de financiamento de campanha e de proteção.
“Vamos lembrar da política brasileira. Infelizmente, o lobby empresarial quase sempre envolve outros interesses que não apenas o tema que está se discutindo. E o Alcolumbre, nós sabemos, é um negociador. Ele está tentando obter do governo algum tipo de benesse ou dos empresários algum grau de proteção em financiamento de campanha ou outra forma de proteção”, afirma Berzoini.
Portanto, o ex-deputado destaca que não vai ser um debate fácil e cobra que as centrais sindicais convoquem manifestações. “Se não botar gente na rua, não passa a ideia de que é uma reivindicação popular”, diz.
“É preciso que haja esse debate com a população, para mostrar que muita gente que não consegue ter o fim de semana de lazer ou com a família, vai passar a ter esse fim de semana, vai poder conviver, vai ter um pouco mais de qualidade de vida. É apenas um dia a mais de folga Já tem vários países da Europa trabalhando em 36 horas, em 38 horas, não há nada que possa impedir isso se houver mobilização. Mas se for a frio, eles podem embarrigar isso para depois das eleições para tirar a pressão política”, alerta Berzoini.
Pesquisa eleitoral
Outro tópico debatido por Berzoini foi o resultado da última pesquisa eleitoral que mostrou resultados positivos para Lula (PT). Para o ex-deputado, a pesquisa mostra uma realidade concreta de consolidação do presidente Lula para a vitória nas eleições de outubro. Berzoini ainda afirma que os dados evidenciam a “erosão” da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
“O presidente Lula tem um patamar muito bom, apesar de algumas pessoas ficarem pessimistas com as pesquisas anteriores, mas ele mantém o patamar, ele não cresceu muita coisa, mas, obviamente, é uma erosão da candidatura do Flávio a partir das revelações das suas relações com o Volcano, com o filme Dark Horse, com todo esse processo de vinculação à arrecadação suspeita de recursos financeiros”, ressalta Berzoini.
Ele também defendeu que a campanha de Lula deve adotar a estratégia de focar na pesquisa qualitativa para identificar quais são os argumentos de quem vota a favor e quem vota contra.
“Porque esse tipo de eleição que nós estamos consolidando no Brasil, já algumas eleições, desde o tempo do PSDB, tem um voto que é o voto por adesão e o voto por rejeição ao outro. Então, é preciso perceber qual é o motivo que os homens, por exemplo, ainda continuam com uma votação muito elevada contra o Lula. Tem alguma coisa que está pegando desde a eleição passada e que nós não conseguimos identificar”, afirma Berzoini.
“O mesmo vale para os 60+, que não são só aposentados, tem muitas pessoas de 60+ ainda no mercado de trabalho percebendo tanto inflação quanto emprego, desemprego, crescimento da economia, investimento em infraestrutura. É o pessoal mais experiente que já votou muitas vezes e essa é a décima eleição presidencial consecutiva no ambiente razoavelmente democrático. Então, as pessoas com mais experiência eleitoral tendem a pensar mais na hora de votar, muitos, inclusive, que já são além de pais de adultos, são avós também. Então, pensam não só no voto que vai lhe beneficiar, mas como vai impactar sua minha família, amigos e comunidade”, complementa o ex-deputado.
Portanto, Berzoini finaliza defendendo uma dedicação maior às pesquisas qualitativas para identificar exatamente os argumentos do cidadão que não é contra o governo Lula, mas ainda não está convencido em votar no presidente.
Confira a entrevista completa do ex-deputado Ricardo Berzoini
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/sem-mobilizacao-alcolumbre-travar-pauta-6×1-berzoini/

