O jornalista e comentarista israelense Shimon Riklin, um dos principais rostos do Canal 14 — emissora conhecida por sua linha editorial de direita e alinhamento ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu — fez duras críticas ao acordo firmado entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito que ameaçava desestabilizar a economia mundial.
Pelo memorando que deve ser assinado nesta sexta-feira, os iranianos concordam em reabrir o Estreito de Ormuz e abandonar o desenvolvimento de armas nucleares. Em troca, Washington encerrará o bloqueio econômico contra o Irã, suspenderá sanções e ajudará na reconstrução do país.
Para Riklin, trata-se de uma capitulação da Casa Branca.
“Estou completamente chocado. Isso é inaceitável. É uma rendição total”, afirmou em entrevista à revista New Yorker. Segundo ele, Israel e Estados Unidos entraram em guerra para impedir o avanço nuclear iraniano, conter o desenvolvimento de mísseis de longo alcance e enfraquecer a influência regional de Teerã.
“Se era para dar tudo isso ao Irã no final, então por que começar a guerra?”, questionou.
Aliado histórico de Netanyahu, Riklin disse que os israelenses são gratos ao apoio militar e diplomático dado por Donald Trump ao longo dos últimos anos, mas afirmou que o presidente americano abandonou Israel justamente no momento decisivo.
“Não me lembro de alguém na história moderna que tenha feito tantas coisas boas por você e, de repente, desaparecido e passado para o outro lado”, declarou.
Durante a entrevista, o comentarista comparou o regime iraniano à Alemanha nazista e acusou Trump de ceder às exigências de Teerã.
“Para nós, o Irã é a Alemanha nazista dos tempos modernos. Eles falam abertamente sobre destruir seus inimigos. E agora Trump está entregando ao Irã exatamente o que ele queria.”
Riklin também revelou que, segundo autoridades israelenses com quem conversou, existia um plano para derrubar o regime dos aiatolás. Ele alegou que Israel acreditava ter entre 70% e 80% de chance de provocar a queda do governo iraniano caso milícias apoiadas por Tel Aviv fossem autorizadas a atuar dentro do país.

Na visão dele, a oportunidade foi desperdiçada.
“Os iranianos estavam em choque no início da guerra. Havia um plano. Gastamos muito dinheiro e surpreendemos o regime. Mas não nos deram a chance de concluir o trabalho.”
O apresentador responsabilizou Trump por impedir a operação e afirmou que os Estados Unidos restringiram ações israelenses não apenas contra o Irã, mas também em Gaza, no Líbano e na Síria.
Ao comentar as consequências políticas do acordo, Riklin afirmou que Netanyahu também teria sido pego de surpresa.
“Ele está em choque. Em todos os anos que o conheço, nunca o vi assim. Nem Barack Obama causou esse tipo de choque.”
Segundo ele, a aproximação com Trump seria um dos pilares da campanha eleitoral de Netanyahu nos próximos meses. O acordo com o Irã, porém, ameaça transformar essa vantagem em um problema político.
“Uma das partes mais importantes da campanha seria a amizade com Trump. Agora, o que ele vai dizer? Isso virou um problema.”
Em tom pessoal, Riklin admitiu sentir-se traído pelo presidente americano.
“Nós éramos melhores amigos. O que aconteceu? Tudo o que dissemos que aconteceria aconteceu. E então fomos apunhalados pelas costas.”
Apesar das críticas, o comentarista reconheceu que Trump foi fundamental para Israel durante boa parte de seu governo. Ainda assim, concluiu que o acordo com Teerã representa uma guinada inesperada da política americana no Oriente Médio.
“Não entendemos por quê. Para nós, o Irã continua sendo uma ameaça existencial. E Trump simplesmente mudou de lado.”
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/aliado-de-netanyahu-chama-acordo-de-trump-com-o-ira-de-rendicao-total-e-diz-que-israel-foi-traido/

