Alexandre de Moraes exibiu, durante sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (18), trechos da audiência em que Mariana Ferrer foi humilhada pelo advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, defensor do empresário André de Camargo Aranha, acusado de estupro de vulnerável.
O momento ocorreu no julgamento em que o STF anulou a audiência de instrução do caso e todos os atos posteriores, incluindo a sentença e o acórdão que haviam mantido a absolvição de Aranha. A decisão faz o processo voltar à primeira instância para nova instrução.
Ao introduzir os vídeos, Moraes disse que a simples leitura da transcrição não era suficiente para demonstrar a forma humilhante como Mariana foi tratada. O ministro afirmou que preparou os trechos para que os demais magistrados se recordassem da “vergonha” que foi a audiência.
Nas imagens, o advogado questiona Mariana sobre fotos pessoais, insiste em perguntas sobre imagens que ela afirmava terem sido manipuladas e adota tom agressivo. Moraes interrompe a exibição para chamar atenção ao comportamento do defensor e à postura do juiz Rudson Marcos, que, segundo o ministro, deixou a situação transcorrer sem intervir adequadamente.
“Percebam a atitude agressiva do advogado”, afirmou Moraes durante a sessão. Em outro momento, ao comentar a forma como Mariana era pressionada, o ministro declarou: “Nem réu por tráfico é tratado assim”.
Alexandre de Moraes exibiu na sessão desta quinta trechos da audiência em que Mariana Ferrer foi alvo de comentários machistas por parte do advogado do empresário André de Camargo Aranha, acusado de estupro de vulnerável. pic.twitter.com/GIkjTuX8hl
— JOTA (@JotaInfo) June 18, 2026
O trecho mais duro veio quando Moraes apontou que o advogado chegou a fazer comentários sobre a aparência de Mariana nas imagens. A própria jovem reagiu, dizendo que estava sofrendo assédio moral. Para o relator, a cena representou uma violação frontal à dignidade da vítima.
“Uma vergonha para o Judiciário e para a Ordem dos Advogados do Brasil”, disse Moraes, ao criticar não apenas a atuação da defesa, mas também a omissão de quem conduzia a audiência. O ministro também afirmou que o magistrado permaneceu em “berço esplêndido” enquanto a vítima era atacada.
O julgamento não condena André de Camargo Aranha. A decisão do STF trata da nulidade da audiência e dos efeitos processuais da forma como o depoimento de Mariana Ferrer foi colhido. O caso volta agora à origem para nova instrução, sob a tese de que provas produzidas com violação à dignidade de vítimas de crimes sexuais podem ser consideradas nulas.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/uma-vergonha-para-o-judiciario-diz-moraes-sobre-julgamento-anulado-do-caso-mari-ferrer/

