Masters do Senado: Ciro, Wagner e Flávio Bolsonaro

Os senadores Flávio Bolsonaro e Jaques Wagner. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

A entrada triunfal de Jaques Wagner no jogo dos Masters do Senado empataria o jogo eleitoral se, do outro lado, o craque fosse apenas Ciro Nogueira. Ambos são amigos de seus técnicos e cartolas do lulismo e do bolsonarismo. O problema é que Flávio Bolsonaro, filho do dono do time, entrou na partida e marcou contra, um golaço que viralizou através do famigerado áudio a Daniel Vorcaro. E depois produziu toneladas de stories e reels com mentiras e desmentidos.

A Polícia Federal foi responsável por revelar os gols de Ciro Nogueira e de Jaques Wagner, que teriam recebido milhões, além de mimos como viagens e caronas em jatinhos, para ajudar o banco de Vorcaro e de Augusto Lima no Congresso. Mas o gol de desempate de Flávio não passou pela PF e pelo árbitro André Mendonça, mas foi trazido à tona pelo Intercept Brasil. Esse fato deveria esquentar mesas redondas em todo o país.

Ah, japonês, mas o jogo já está com muitos gols para o lado da direita. Não estou esquecendo os tentos marcados por atacantes de renome como os ex-governadores Cláudio Castro (PL), que queimou bilhões no fundo de previdência dos servidores do Rio, e Ibaneis Rocha (MDB), que rifou o Banco de Brasília para o Master, entre outros. Mas a partida que vem sendo jogada pelos Masters do Senado envolve a cozinha de ambos os times e é mais central para a eleição nacional

A percepção sobre o aumento da corrupção no Brasil já estava caindo nas costas do governo Lula, independentemente de a maioria dos nomes envolvidos até agora ser principalmente da direita bolsonarista e do centrão. Como diria Galvão, estava se criando um clima terrrrrrrrível. Porque o público não quer saber se onde vem o mal cheiro no estádio ou se a culpa é dos visitantes que explodiram os sanitários. A zeladoria da coisa toda é função do mandante da partida.

O golaço contra de Flávio através do áudio em que pede 134 milhões de cascalhos para Vorcaro (ele acabou levando 61 milhões) e as mensagens em que o chama de “irmão” e diz que está e estará com ele sempre continuam sendo a aposta da campanha de Lula para servir como vacina a fim de evitar que o caso Master entre na conta como coisa de petista.

Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. Foto: reprodução

A ironia é que, num país onde a torcida se divide em vermelho e amarelo como questão de fé, os Masters revelaram-se uma única equipe com dois uniformes diferentes — e o campo está coberto de cascalho.

Lula terá que subir a plaquinha de Wagner logo, evitando deixar o jogo rolar para ver o que acontece, como é seu estilo, até porque este ano não tem prorrogação. Não seria estilo do presidente subir expulsar o amigo de longa data Jaques Wagner enquanto a torcida vaia o nome dele. Provavelmente, dará algum tempo, chamará o aliado e dirá que precisa dele em alguma função da sua campanha e que, para isso, precisa deixar a liderança do governo no Senado.

Já o gol contra de Flávio Bolsonaro tem um preço que vai muito além da partida dos Masters do Senado. Num cenário em que o filho mais político do ex-presidente vinha tentando descolar a própria imagem do legado turbulento do pai, o áudio com Vorcaro chegou como uma lesão no joelho às vésperas da Copa. Flávio não era apenas mais um jogador do bolsonarismo, é um dos poucos do clã com verniz político e temperamento de negociador.

A torcida bolsonarista já o perdoou, como sempre fez com as caneladas cometidas pelo clã, mas o eleitor independente, aquele que ele precisa conquistar para crescer no tabuleiro nacional, dificilmente esquece que, quando o dinheiro apareceu no campo, o filho do capitão estava lá, de mão estendida e sorriso de irmão. Não poderá usar o Master como estratégia porque o Dark Horse o transformaria em um cavalo paraguaio.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sakamoto-masters-senado-ciro-wagner-flavio-marcou-contra/