Massacrar o Haiti? Que conversa é essa, companheiro? Por Moisés Mendes

Soldados brasileiros em “missão de paz” da ONU no Haiti. Foto: Hector Retamal/AFP

Quando metade do Brasil entra na conversa de narradores e comentaristas e pede que a Seleção massacre o Haiti no jogo de hoje, não há mais o que fazer.

Pelé, Sócrates, Zagallo e outros da turma deles livraram-se do constrangimento de ver o Brasil, que sempre desejou massacrar Alemanha, Argentina e Inglaterra no futebol, na torcida rasa pelo massacre do Haiti.

É o rebaixamento, não do futebol, nem só das torcidas patrióticas, mas dos sentimentos de um povo.

Desejar que o Haiti seja massacrado, para que a Seleção sobreviva na Copa, é de uma vileza inimaginável até pouco tempo num país que já foi vira-lata e hoje é arrogante e metido a supremacista.

Brasil Panamá
Vini Jr., vestindo a camisa da seleção brasileira. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Não, não é o massacre do Haiti que vai salvar a camiseta amarela, o Brasil e sua torcida bolsonarista. Humilhar um país em sofrimento não será a nossa salvação.

O que salvará o Brasil será o fim da era Neymar, seus significados e suas piores conexões com o dinheirismo no futebol e com a extrema direita em geral.

(Esse texto não está sugerindo que o Brasil deve evitar o massacre do time do Haiti por causa da intervenção dos generais brasileiros como ‘mediadores’ da força de paz da ONU no país. Essa é outra história, até hoje contada pela metade. Mas já existem bons relatos sobre o que os generais fizeram no Haiti. Quase todos, por acaso, engajados depois ao bolsonarismo.)

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/massacrar-o-haiti-que-conversa-e-essa-companheiro-por-moises-mendes/