O empate por 2 a 2 com o Uruguai, no último domingo (21), transformou Cabo Verde em uma das grandes histórias desta Copa do Mundo. Pela primeira vez no torneio, o pequeno país africano de cerca de 500 mil habitantes não apenas conquistou pontos diante de uma potência do futebol mundial, mas também marcou seu primeiro gol em Mundiais.
As dez ilhas que formam o arquipélago vivem um clima de celebração. Após já ter surpreendido ao empatar com a Espanha na estreia, a seleção cabo-verdiana voltou a desafiar as expectativas diante do Uruguai, aumentando a esperança de uma campanha histórica.
Nas ruas da capital, Praia, milhares de torcedores comemoraram como se fosse uma vitória. Tambores, buzinas e danças tomaram conta da cidade. Para muitos habitantes, a participação no Mundial representa muito mais do que futebol.
“É uma emoção enorme, uma emoção que não tem explicação. É a representatividade desse povo que sempre foi muito lutador”, afirmou a psicóloga Paula Pina à ESPN.
O presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, classificou a presença do país na Copa como um momento definidor para a nação, que conquistou a independência de Portugal em 1975.
“Se hoje, 50 anos depois, estamos na Copa do Mundo, já provamos que somos uma nação viável”, escreveu o presidente nas redes sociais.

O papel da China na ascensão do futebol cabo-verdiano
Por trás da trajetória esportiva de Cabo Verde há um fator pouco conhecido: a ajuda da China para desenvolver a infraestrutura do país. É o soft power chinês.
Em 2014 foi inaugurado o Estádio Nacional de Cabo Verde, arena com capacidade para 15 mil pessoas financiada pelo governo chinês e construída por uma empresa estatal do país asiático.
A obra veio logo após a primeira participação de Cabo Verde na Copa Africana de Nações, quando a seleção alcançou as quartas de final pela primeira vez. Desde então, o estádio se tornou a casa dos chamados “Tubarões Azuis” e o principal palco das campanhas de classificação da equipe.
Foi justamente nesse estádio que Cabo Verde garantiu sua vaga inédita para a Copa do Mundo ao derrotar Essuatíni, em outubro de 2025.
O investimento faz parte da chamada “diplomacia dos estádios” promovida por Pequim na África. Segundo dados divulgados pela imprensa estatal chinesa, mais de 100 arenas esportivas foram construídas ou financiadas pela China no continente ao longo das últimas cinco décadas.
Outros países africanos que disputam ou disputaram grandes torneios internacionais também receberam esse tipo de investimento. A Costa do Marfim, por exemplo, possui três estádios construídos com recursos chineses. Já Tanzânia, Uganda e Angola também contam com arenas erguidas com apoio de Pequim.
Relação entre Cabo Verde e China
As relações diplomáticas entre Cabo Verde e a China começaram em 1976, um ano após a independência do país africano. Desde então, os chineses participaram de diversos projetos estratégicos no arquipélago, incluindo a construção do Parlamento nacional, prédios do governo e da barragem de Poilão.
Agora, com a seleção surpreendendo o mundo na Copa, muitos cabo-verdianos enxergam no Estádio Nacional um símbolo da transformação do futebol local.
Como resumiu um torcedor em um vídeo que viralizou nas redes sociais: “É como se tivéssemos ganhado a Copa do Mundo, mesmo sem vencer a partida.”
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/diplomacia-dos-estadios-o-papel-da-china-na-campanha-historica-de-cabo-verde-na-copa/

