Imagens das câmeras corporais da Polícia Militar registraram a discussão entre agentes e a direção da Emei Antônio Bento, em São Paulo, após um pai denunciar uma atividade escolar que resultou em um desenho da orixá Iansã feito por sua filha de 4 anos. O caso ocorreu em novembro de 2025 e ganhou repercussão recentemente.
Nas gravações, o tenente Ronald Camacho afirma à diretora da escola: “A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar seu pensamento, ditar a sua ideologia. Não vou conversar com a senhora agora. E, se tiver alguma medida, eu tomarei; voltarei aqui com a medida administrativa”. A fala ocorreu durante uma discussão sobre o conteúdo trabalhado em sala de aula.
O pai da criança, que também é policial, alegou que a filha estaria sendo obrigada a participar de atividades ligadas a uma religião diferente da sua. Segundo ele, havia solicitado que a menina fosse retirada dessas aulas. Os policiais entraram na unidade escolar para apurar a reclamação e ouvir os envolvidos.
A diretora explicou aos agentes que a atividade fazia parte de um projeto pedagógico baseado na Lei 10.639, que determina o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas. Ela relatou ainda que o pai teria se exaltado no dia anterior. “Ele veio ontem de maneira agressiva aqui na escola. Coagiu a professora, gritou com ela, apontou o dedo no rosto dela e arrancou o desenho da criança”, afirmou.
Durante a conversa, o tenente questionou a presença de referências a Iansã na atividade. “Como não? Eu vi um desenho escrito Iansã. É uma entidade da cultura afro”, disse. A diretora respondeu que se tratava de uma atividade literária baseada no livro “Ciranda em Aruanda”. O policial rebateu: “Isso que a senhora está falando que ‘é cultura’, e tal… Não [é], estamos falando de uma religião”.
Após a discussão inicial, os policiais voltaram a ouvir a direção da escola e conversaram com uma supervisora da rede municipal de ensino. Nesse momento, o tenente afirmou que não identificava crime na situação.
“Eu tenho que ver a duas partes. Se a gente só ouve uma, parece que o pai é um criminoso. Se só ouço o pai, parece que a diretora é criminosa. E eu não vejo nenhum criminoso aqui. Não existe isso. Para mim, não existe aqui isso; é ‘lide’, confusão de ideias”, declarou.
A atividade que motivou o episódio foi realizada após a leitura do livro infantil “Ciranda em Aruanda”, de Liu Olivina, que apresenta personagens da tradição afro-brasileira. Especialistas ouvidos à época afirmaram que o conteúdo está relacionado ao ensino da cultura afro-brasileira e não à prática de ensino religioso.
Após a repercussão do caso, o pai da aluna foi indiciado por intolerância religiosa, enquanto a Polícia Militar abriu investigação para apurar a conduta dos agentes envolvidos.
Veja:
⏯️ Desenho de Orixá: PM disse a diretora que ela queria “ditar ideologia” pic.twitter.com/ugU4ViaU85
— Metrópoles (@Metropoles) June 22, 2026
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-pm-acusa-diretora-de-ditar-ideologia-em-escola-apos-desenho-de-orixa/

