Jaques Wagner resiste à saída da liderança do governo

O senador Jaques Wagner (PT-BA) e o presidente Lula. Fotomontagem

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), tem dito a aliados que não pretende se afastar imediatamente do cargo após virar alvo de operação da Polícia Federal em investigação ligada ao Banco Master, a menos que o presidente Lula (PT) faça esse pedido. Com informações da Folha de S.Paulo.

Uma conversa entre Lula e Wagner está prevista para quarta-feira (24), quando o senador deve retornar a Brasília. A expectativa dentro do governo é que o presidente recomende a entrega da liderança se o petista não tomar a iniciativa antes do encontro.

Aliados de Wagner, mesmo inclinados a defender o afastamento, sugerem um acordo para que ele deixe a função apenas depois de uma visita de Lula à Bahia, marcada para 2 de julho. A justificativa pública seria a necessidade de o senador se dedicar à campanha no estado.

Integrantes do governo avaliam que a permanência de Wagner na liderança mantém o caso sob holofotes e dificulta a estratégia de blindar Lula. Emissários da gestão petista tentam convencer o senador de que a saída também poderia favorecer sua própria defesa.

Operação da PF ampliou pressão sobre liderança no Senado

A operação da PF na Bahia, relacionada ao Banco Master, interrompeu uma sequência de notícias consideradas positivas pelo Palácio do Planalto. A avaliação entre auxiliares de Lula é que o governo precisa encerrar rapidamente a discussão sobre o cargo para evitar que o tema avance sobre o presidente.

Uma ala governista já defendia a substituição de Wagner antes da operação, em razão de desgastes na articulação política. Entre os episódios citados estão a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF e a deterioração da relação do líder com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Lula mantém relação próxima com Wagner e, segundo aliados, não quer passar a impressão de que desconfia do senador. O presidente, porém, ficou contrariado porque Wagner citou seu nome em entrevista na semana passada, o que levou o problema político para dentro do Palácio do Planalto.

Na entrevista à BandNews TV, Wagner afirmou que Lula telefonou para ele após a operação. “Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”, disse. O senador também declarou que continuaria na liderança “até segunda ordem” e acrescentou: “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim.”

Aliados do presidente classificaram a entrevista como acima do tom e consideraram que Wagner envolveu Lula no caso. Segundo esses interlocutores, o telefonema de solidariedade não significou garantia de permanência no cargo, mas um gesto para que o senador conduzisse a saída como decisão pessoal.

Wagner argumenta a aliados que sua fragilização pode prejudicar a campanha presidencial na Bahia, estado considerado fundamental para Lula em 2022. Interlocutores do presidente dizem que a exposição do caso também pode municiar a defesa de Flávio Bolsonaro (PL), flagrado em conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para obter recursos para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Dentro do governo, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, defende a blindagem de Lula e a tentativa de manter o caso restrito à Bahia. A estratégia governista é sustentar que não houve ação do governo em favor do Banco Master e que o escândalo veio à tona por investigações conduzidas durante a gestão Lula, além da liquidação do banco.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-primeiro-encontro-entre-lula-e-jaques-wagner-apos-os-vazamentos-do-master/