Os desafios do sucessor de Jaques Wagner com Alcolumbre

Jaques Wagner (PT-BA) e Davi Alcolumbre (União-AP). Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

A possível saída do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado deixaria ao sucessor a missão de destravar pautas do presidente Lula e recompor a relação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). A informação é do Metrópoles.

Wagner virou um dos alvos da 9ª fase da operação Compliance Zero, que investiga o caso Master. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar e aponta que o senador atuou a favor de interesses do banco de Daniel Vorcaro em troca de vantagens econômicas.

O senador nega ter cometido crimes e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação da decisão que autorizou a operação. Nos bastidores, ele enfrenta pressão para deixar o posto e reduzir desgastes à tentativa de reeleição de Lula.

O petista comanda a articulação do governo no Senado, mas acumula atritos na Casa. O principal desgaste envolve Alcolumbre, que rompeu contato com Wagner após a indicação de Jorge Messias ao Supremo, em novembro de 2025.

O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo

Rompimento com Alcolumbre trava agenda do governo

Interlocutores afirmam que Alcolumbre atribui a Wagner a escolha de Messias, que trabalhou no gabinete do senador petista, em vez de Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Desde então, o presidente do Senado mantém pouco ou quase nenhum contato com o líder do governo.

O desgaste chegou ao ponto mais alto quando o Senado rejeitou Messias para o STF. Wagner passou as últimas horas antes da votação no plenário tentando convencer colegas a apoiar o advogado-geral da União, mas a derrota expôs a força política de Alcolumbre.

Mesmo após a ação da Polícia Federal contra Wagner, Alcolumbre defendeu a presunção de inocência e disse que o senador terá oportunidade de se defender no processo. “Meu apoio e minha solidariedade integral a um colega senador da República. Eu tenho a convicção de que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas, e um dia elas serão julgadas, e é lá nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada”, declarou.

Dias antes da operação, Wagner havia defendido Alcolumbre na tribuna do Senado. Segundo a revista Veja, o presidente da Casa recebeu US$ 30 milhões de Daniel Vorcaro para atuar a favor do banco no Senado; o senador baiano chamou as acusações de “mentirosas”.

Apesar do rompimento, aliados de Alcolumbre e interlocutores do governo relatam que o presidente do Senado não externou desejo de trocar a liderança. Com a distância de Wagner, ele passou a tratar temas do governo com o líder do Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), enquanto a gestão petista acumulou derrotas.

Entre as iniciativas travadas no Senado estão a PEC do fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública. Também há projetos parados, como o de minerais críticos, além de vetos presidenciais que devem ser derrubados.

Alcolumbre também deu andamento a propostas de forte impacto fiscal, chamadas de pautas-bomba pelo governo. Uma delas trata da renegociação das dívidas rurais, tema que levou a gestão Lula a discutir formas de judicialização.

Wagner apresentou requerimento para tentar frear a ida de um desses projetos diretamente para a Câmara. O líder do governo também pediu que o reajuste do piso de médicos e dentistas passe por análise no Senado, enquanto Alcolumbre reclama das críticas por segurar pautas de apoio popular e avançar com propostas caras para o Executivo.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/jaques-wagner-articulacao-alcolumbre-senado/