Edir Macedo entrou formalmente no pedido da Polícia Federal para afastamento dos sigilos bancário e fiscal na investigação sobre o Banco Digimais, mas não foi incluído entre os alvos de busca e apreensão porque, segundo a própria PF, reside no exterior.
A informação consta da representação da Operação Miragem, enviada à 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, no inquérito que apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional na gestão do Banco Digimais. O documento também pediu sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670.348.945,70.
No trecho em que trata dos sigilos, a PF afirma que o pedido deveria alcançar as mesmas pessoas já nomeadas na representação, “acrescido de Edir Macedo Bezerra”, e registra que ele “não foi objeto de pedido de busca e apreensão por residir no exterior”. Leia a decisão aqui
Edir Macedo entrou no pedido de sigilo da PF
A representação policial mira a gestão do Banco Digimais, instituição controlada por grupo empresarial associado a Edir Macedo por meio de holding vinculada ao Grupo Record, segundo a própria PF.
O banco, originalmente chamado Banco Renner, passou a ser controlado integralmente em 2020 por esse grupo empresarial e adotou a marca Digimais. A partir daí, segundo a PF, a instituição passou a focar em crédito consignado e financiamento de veículos.
A Polícia Federal afirma que, depois de um período de crescimento acelerado, o Digimais sofreu deterioração severa de indicadores financeiros, com prejuízos expressivos, alta inadimplência e necessidade de sucessivos aportes de capital por parte do controlador.
Bloqueio de R$ 670 milhões saiu de reavaliações de ativos
O valor pedido para bloqueio foi calculado pela PF como a diferença entre os valores efetivamente gastos para adquirir ativos investigados, de R$ 71 milhões, e o acréscimo patrimonial escriturado depois de sucessivas reavaliações, de R$ 741.348.945,70.
A diferença chega exatamente aos R$ 670.348.945,70 citados na representação. Para a PF, esse montante deveria ser alcançado pela ordem de sequestro e bloqueio de bens e valores.
A apuração investiga suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis, operações de crédito vedadas e outros crimes previstos na Lei nº 7.492/1986, que trata dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Digimais é tratado pela PF como novo foco do caso Master
A representação da PF conecta a crise do Digimais ao ambiente aberto pela liquidação extrajudicial do Banco Master. Segundo o documento, a emissão de CDBs com remuneração acima de 110% do CDI, combinada à exposição de cerca de R$ 600 milhões a carteiras do Master, levantou questionamentos sobre qualidade, lastro e regularidade documental dos ativos.
O caso aprofunda a cobertura que a Fórum vem fazendo sobre o elo entre Master, Digimais, o Fundo Garantidor de Créditos e figuras do bolsonarismo econômico. Em análise publicada nesta terça-feira, a Fórum mostrou como o enredo passa por Paulo Guedes, Roberto Campos Neto, Master e Digimais.
A Fórum também revelou que o governo Tarcísio de Freitas credenciou o Digimais, banco de Edir Macedo, para operar consignados para policiais militares em São Paulo, mesmo em meio à crise financeira da instituição.
Operação Miragem mira balanços, receitas e Banco Central
A Operação Miragem foi deflagrada para apurar suspeitas de manipulação de demonstrativos contábeis e registros regulatórios. Segundo a PF, os investigados teriam buscado ocultar a real situação econômico-financeira do Digimais e aparentar solvência diante dos órgãos de controle.
A Polícia Federal também apura possível superavaliação de ativos, geração artificial de receitas e operações financeiras supostamente irregulares em benefício da empresa controladora do banco.
Na primeira reportagem do dia sobre a operação, a Fórum mostrou que a PF mira o Banco Digimais, de Edir Macedo, em operação de R$ 670,3 milhões contra suspeitas de fraudes financeiras.
O ponto novo da representação é que Edir Macedo não ficou fora do radar patrimonial e fiscal da PF. Ele foi poupado do pedido de busca por morar fora do país, mas foi expressamente acrescentado ao pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/pf-edir-macedo-digimais/

