Embarcamos no trem de alta velocidade que liga Miami e Orlando

Se até outro dia viajar pela Flórida tinha como requisito mandatório o aluguel de um carro, agora existe uma ótima alternativa para evitar o trânsito da I-95. Desde 2023, a viagem entre Miami e Orlando, dois destinos queridíssimos dos brasileiros, pode ser feita em até 3h30 com muito conforto – em poltrona de couro, com serviço de bordo e wi-fi. 

O responsável por isso é o trem de alta velocidade Brightline, que eu tive de conhecer em uma viagem recente pela Flórida. Embarquei em uma viagem entre Miami e Fort Lauderdale que, apesar de curta (apenas 45 minutos), foi o suficiente para deixar a melhor das impressões. A limpeza, pontualidade e qualidade do serviço superaram e muito as de uma viagem aérea.

A estação de Fort Lauderdale combina design moderno e muito conforto (Rogéria Vianna/Arquivo pessoal)

Sobre os trilhos

O Brightline faz quatro paradas entre Miami a Orlando e atinge até 200 km/h. De uma ponta a outra, a viagem leva 3h nas rotas diretas a 3h30 com as quatro paradas intermediárias – o tempo de carro pode até ser o mesmo, mas a conveniência e conforto são indiscutivelmente maiores sobre trilhos.

O roteiro inteiro é o seguinte:

  • MiamiCentral – estação principal, no coração de Miami
  • Aventura – conveniente para quem está hospedado na região de North Miami Beach
  • Fort Lauderdale – conectada por shuttle ao aeroporto (FLL)
  • Boca Raton – ótimo destino de praia para quem já conhece bem Miami
  • West Palm Beachregião sofisticada e que merece entrar no radar
  • Orlando International Airport (MCO) – estação final, ligada diretamente ao terminal do aeroporto

Essa rota é um dos grandes trunfos do Brightline: sair do centro de Miami e desembarcar praticamente dentro do aeroporto de Orlando.

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Interior moderno de um bar com balcão branco e bancos azuis, onde uma barista atende. Ao lado, um corredor com piso listrado e elevadores amarelos, além de sinalização de direção para Baggage Claim e Valet Parking. Grandes janelas mostram prédios e árvores ao fundo
O desembarque em Fort Lauderdale encerrou uma viagem curta, mas suficiente para mostrar que, na Flórida, os trilhos voltaram a competir com as estradas (Rogéria Vianna/Arquivo pessoal)

Escolhendo seu bilhete

O Brightline oferece duas classes: Smart e Premium.

A Smart é econômica, ideal para quem faz viagens a trabalho, com pouca ou nenhuma bagagem. O passageiro pode levar um item pessoal e uma bagagem de bordo, os assentos são de couro bem confortáveis, wi-fi grátis, tomadas individuais USB-A e USB-C (para carregar telefones e computadores) e serviço de entrega de lanches e bebidas no assento, pago à parte.

A Premium equivale à classe executiva. Um grande diferencial é o acesso a um lounge exclusivo nas estações de embarque.

Ambiente de coworking moderno com paredes amarelas e carpete azul. Duas poltronas individuais bege com laterais altas e mesa de madeira, sobre tapetes ovais amarelos. Plantas verdes em vasos pretos e luminárias de chão arqueadas complementam o espaço. Ao fundo, uma grande janela revela prédios altos e palmeiras, com uma pessoa sentada em um sofá cinza
Um pouco do conforto do Lounge Premium de Miami (Rogéria Vianna/Arquivo pessoal)
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Fiquei encantada com esse espaço na estação de Miami, que era amplo, com poltronas, aparelhos de TV, buffet com sanduíches, saladas, pratos quentes e geladeira com bebidas.

Mesa de buffet com queijos, frios, saladas, pães e chips em recipientes de vidro e madeira, com talheres de servir. Pessoas desfocadas ao fundo.
Antes da viagem, os passageiros Premium podem aproveitar o buffet do lounge (Rogéria Vianna/Arquivo pessoal)

Só por isso já valeria o investimento extra nessa categoria, mas ela ainda oferece bagagem despachada, prioridade no check-in, seleção de assento, poltronas mais largas e com mais espaço entre as pernas, wi-fi, tomadas individuais USB-A e USB-C e serviço de bordo com comidas e bebidas, inclusive alcoólicas.

Interior de um trem moderno com assentos bege dispostos em duas fileiras, corredor central e bagageiros superiores. Luzes brancas e azuis iluminam o teto. Passageiros sentados e malas nos bagageiros. Uma pessoa de boné preto e camisa vermelha aparece em primeiro plano. O logo brightline está nos assentos
A categoria Premium inclui poltronas mais espaçosas e serviço de bordo (Rogéria Vianna/Arquivo pessoal)

Devidamente acomodada no meu vagão, segui viagem contemplando a paisagem enquanto bebia uma taça de Prosecco e um punhado de pistaches. As viagens ponta a ponta incluem refeições com pratos quentes.

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Quanto custa

Como passagens de avião e aplicativos de mobilidade como a Uber, os preços do Brightline também funcionam em sistema dinâmico e variam de acordo com o dia, horário e antecedência da compra. Você pode, por exemplo, encontrar bilhetes por 12 dólares na categoria Smart entre trechos curtos como Miami e Aventura, ou 39 dólares entre Miami e Orlando – ou 89 dólares na categoria Premium.

Fachada de vidro de um prédio com o letreiro brightline em branco e amarelo, refletindo carros, árvores e pessoas na rua
A estação em Miami combina arquitetura contemporânea e localização estratégica (Rogéria Vianna/Arquivo pessoal)

Como sempre, vale se programar e comprar com antecedência para garantir melhores preços e horários. Importante também saber dos descontos: crianças até 2 anos não pagam; entre 3 e 12 anos têm 25% de desconto na classe Smart e grupos de três ou mais pessoas ganham 25% de desconto na classe Smart. Animais de estimação (cães e gatos) também podem viajar, desde que seja feito o aviso prévio na reserva e pagamento de uma taxa por pet.

Placa de sinalização suspensa em um terminal, indicando direções para Brightline Trains, Food Collective, Tri-Rail Trains, Ticketing Kiosk, Guest Services e Restrooms, com texto em inglês e espanhol
A estrutura da estação foi pensada para tornar o embarque mais intuitivo (Rogéria Vianna/Arquivo pessoal)

Possível pegadinha: a mala que embarca com você não pode exceder as dimensões de 74 cm de altura × 51 cm de largura × 33 cm de profundidade e nem ultrapassar o peso de 50 libras (aproximadamente 23 kg). No meu caso, eu tinha uma mala maior que o limite estipulado e já carregava uma de bordo, então teria que pagar um extra.

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Ao fazer a reserva do meu bilhete Miami – Fort Lauderdale, quase caí na tentação de reservar a categoria Smart, que custava 18 dólares contra os 38 dólares da Premium. Porém, descobri que precisaria pagar uma taxa de 30 dólares para despachar minha mala que excedia o tamanho regulamentar, o que me faria amargar com 48 dólares. Nesse caso, vale mais a pena comprar a categoria Premium, que já inclui tanto uma mala de bordo quanto uma mala despachada, e também alimentação.  

Interior de uma estação de trem moderna com teto cinza e iluminação retangular. Uma mulher de costas, com blusa clara e calça estampada, caminha em piso brilhante. À esquerda, uma estrutura amarela com BRIGHTLINE STATION e um painel azul com um trem e a frase RIDE THE RAILS TO THE SEA, AND START YOUR VACATION EARLY. Ao fundo, pessoas e balcões de atendimento
Depois de escolher o bilhete ideal e organizar a bagagem, a viagem começa na estação de Miami (Rogéria Vianna/Arquivo pessoal)

Outra informação que vale a pena contar: objetos cortantes e pontiagudos são barrados no raio-X e tive que deixar para trás uma pequena tesoura que sempre levo em viagens. Por outro lado, não há restrição com líquidos.

Vantagens de viajar com a Brightline

  • Estações modernas, amplas e limpas com bar, mercado e lounge para a classe Premium.
  • Agilidade e conforto: a viagem mais longa da linha, ligando Miami e Orlando, leva cerca de 3h30 contra as 4 horas de carro sem trânsito. E você ainda pode ir dormindo, lendo ou relaxando.
  • Estações em localização central, o que facilita o acesso tanto à cidade quanto aos aeroportos. Em Orlando, tem conexão direta com o aeroporto internacional (MCO). 
  • Em Miami, oferece shuttles gratuitos para eventos em estádios como o Hard Rock Stadium, loan Depot Park e Chase Stadium.
  • Em Orlando, dispõe de transfers até parques da Disney e da Universal a partir de 12 dólares.
  • Desconto em estacionamentos, aluguéis de carros e bicicletas.
  • Tem vans entre as estações de Miami e Fort Lauderdale e seus respectivos aeroportos (MIA e FLL)
Pessoas relaxando em um lounge de coworking com poltronas e sofás modernos. Uma mulher de blusa vermelha usa um laptop, enquanto um homem de óculos descansa em uma poltrona. Plantas grandes decoram o ambiente, e a parede amarela exibe a frase Isnt it nice when it can be about the journey & the destination? com fotos. O chão tem um tapete azul com padrões geométricos. No alto, um banner lista serviços como FREE BREAKFAST & SNACKS e FAST & RELIABLE WI-FI. À direita, um logo INDUSTRIOUS e The best coworking destination.
Para alguns passageiros, o lounge é o benefício que justifica a escolha da categoria Premium (Rogéria Vianna/Arquivo pessoal)
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Desvantagens de viajar com a Brightline

  • Preço variável: tarifas dinâmicas podem tornar o bilhete caro em horários de pico ou compras em cima da hora.
  • Limite de bagagem: regras rígidas de tamanho e peso podem gerar custos extras inesperados para quem viaja com malas maiores.
  • Cobertura limitada: apesar de eficiente, a linha ainda atende apenas alguns trechos da Flórida, exigindo complementos por carro ou transporte por aplicativo.
  • Lotação em períodos de alta demanda: em feriados e eventos, pode haver menos disponibilidade de assentos.
  • Restrição de itens: objetos como tesouras e itens pontiagudos são proibidos no embarque. 
Pessoas em um saguão de aeroporto moderno, com um segurança de costas em primeiro plano, próximo a um scanner de bagagens Orion 920 CX. Ao fundo, passageiros aguardam, alguns sentados, outros em pé, com malas. Grandes janelas revelam árvores e prédios externos, e um teto com iluminação linear completa o ambiente.
O processo de embarque inclui inspeção de malas, o que exige atenção aos itens transportados (Rogéria Vianna/Arquivo pessoal)

Como comprar

Os bilhetes para o Brightline podem ser adquiridos online pelo site oficial gobrightline.com, pelo aplicativo do Brightline ou nas máquinas de autoatendimento disponíveis nas estações.

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Fonte: https://viagemeturismo.abril.com.br/mundo/embarcamos-no-trem-de-alta-velocidade-que-liga-miami-e-orlando/