Como aliados de Flávio Bolsonaro interpretam os ataques de Michelle

Michelle e Flávio Bolsonaro em ato da extrema-direita. Foto: Brenno Carvalho/O Globo

Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que as falas e vídeos publicados por Michelle Bolsonaro na noite de quarta-feira (24) fazem parte de um movimento político para enfraquecer o senador no presente e fortalecer a própria posição no futuro. A crise, que começou em torno das articulações do PL no Ceará, passou a ser lida nos bastidores como uma disputa pelo espólio político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo a GloboNews, a avaliação no entorno de Flávio é que Michelle atua na lógica do “perder-perdendo”, e não do “perder-ganhando”. Ou seja, preferiria ver o senador sair menor do episódio, mesmo que isso exponha publicamente as divisões da família Bolsonaro e do próprio campo bolsonarista.

Interlocutores do pré-candidato à Presidência afirmam que Michelle tenta se apresentar como a integrante mais fiel às orientações e aos acordos definidos por Jair Bolsonaro, seu marido e líder do grupo político. Para esses aliados, o embate não se limita a 2026, mas mira também a reorganização da direita em 2030, em um cenário de pós-Lula e de disputa por protagonismo nacional.

O Ceará é o ponto central da crise. Michelle criticou publicamente a tentativa de aproximação com Ciro Gomes (PSDB-CE) no primeiro turno e defendeu apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo estadual.

Nos bastidores, também pesa o fato de a deputada federal Priscila Costa, aliada da ex-primeira-dama e cotada para o Senado, ter sido preterida pelo PL em favor de Alcides Fernandes, pai do deputado André Fernandes, articulador do acordo com Ciro.

O que era tratado como uma busca por palanque forte para Flávio no Nordeste se transformou em crise nacional. No vídeo, Michelle afirmou ter sido desrespeitada pelo senador durante uma conversa telefônica sobre a articulação no Ceará.

“Mas sinceramente, para falar o que ele [Flávio] me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem”.

Michelle também disse que Flávio frequenta a casa dela e de Jair Bolsonaro “toda semana” e que poderia ter conversado pessoalmente, caso considerasse necessário seu apoio. “Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado. Estou na minha, continuarei recolhida”.

A ex-primeira-dama negou intenção de disputar a Presidência e afirmou que sua prioridade é cuidar da família. Também rebateu críticas sobre sua experiência política, lembrando que preside o PL Mulher e atuou nas eleições municipais de 2024.

Após a repercussão, Flávio negou ter ofendido Michelle e pediu desculpas. “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, escreveu.

“Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”.

O senador afirmou ainda que tentou convidá-la para uma reunião com lideranças femininas conservadoras. “Fiz mais um gesto não correspondido. Não atendeu. Deixei mensagem. Também não retornou. Para minha surpresa, na tarde de hoje ela publicou o vídeo. (…) O convite segue de pé e o coração segue aberto, pois temos um Brasil para tirar das mãos do PT”, escreveu.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-aliados-de-flavio-bolsonaro-interpretam-os-ataques-de-michelle/