Moradores relatam susto e evacuação de prédios
No edifício London, trabalhadores foram orientados a deixar o prédio às pressas. O operador de pedágio Ítalo Matos, 25, estava no 25º andar no momento do ocorrido e descreveu a situação como inesperada. “A gente tava trabalhando e o porteiro mandou evacuar. Eu ouvi um barulho, parecia chuva, mas não senti tremor. Lá é muito abafado, a gente não tem contato com janela, então achamos que era isso”, relatou. Ao descer, encontrou a área isolada e outros prédios também evacuados. “Quando chegamos na rua já tava tudo interditado, todo mundo pra fora, mas graças a Deus não aconteceu nada”, completou.
Ainda na Antonio Barreto, no edifício Ile Palais, a autônoma Marluce Pinheiro, 60, estava no apartamento irmã quando o tremor ocorreu. “Foi um susto grande. Ouvimos o barulho e sinal de evacuar. Quando saímos no chão e no corrimão. O pessoal de cima disse que sentiu mais. Não teve desespero grande, mas ficou aquele medo”, contou. Segundo ela, moradores aguardaram na área externa enquanto equipes avaliavam possíveis danos estruturais.
Já o comerciante Francisco Sampaio percebeu o fenômeno de forma mais intensa. Ele relata que inicialmente pensou se tratar de um problema de saúde. “Achei que era tontura, labirintite, mas logo vi que a cadeira e as paredes estavam se mexendo. As plantas balançavam. Aí percebi que era real”, disse. O episódio gerou correria no prédio onde ele estava. “Teve muita apreensão. A gente saiu pelas escadas com nosso neto de três meses e a cachorra. Eu até trouxe uma cadeira porque sei que a vistoria deve demorar”, relembrou. Ele ainda comparou a situação a um evento semelhante ocorrido em 2018.
Inspeções e orientações de segurança
De acordo com o subtenente Sérgio Mesquita, do Corpo de Bombeiros, ao menos seis prédios na Região Metropolitana de Belém registraram ocorrências relacionadas ao tremor. “Recebemos chamados de moradores relatando vibrações. Fizemos inspeções detalhadas e não encontramos fissuras, rachaduras ou qualquer dano estrutural”, afirmou.
As equipes de Mesquita vistoriaram imóveis como os edifícios Palais e London, além do Tulipas, onde moradores de andares mais altos relataram maior intensidade do fenômeno. “Do 18º andar pra cima houve relatos de lustres balançando. Abaixo disso, praticamente nada foi percebido”, explicou Mesquita.
Apesar do susto, os bombeiros liberaram o retorno dos moradores após as inspeções iniciais. Ainda assim, a Defesa Civil segue realizando avaliações técnicas mais detalhadas. “A orientação é clara, em caso de novo tremor, evacuar imediatamente e nunca usar o elevador”, reforçou o subtenente.
A Defesa Civil de Belém, ligada à Prefeitura, também vistoriou os prédios citados e deve voltar na manhã de hoje, 25, para uma nova vistoria preventiva. A administração do município também citou em nota que prédios no Jurunas, Pedreira e Cremação também sentiram os efeitos do terremoto, mas não apresentaram ocorrências graves.
Impacto em outras cidades e na Venezuela
Além de Belém, reflexos do terremoto foram sentidos em Santarém, Macapá e Manaus. O epicentro abalo foi registrado em Montalbán, uma cidade a 160 km da capital da Venezuela, Caracas, a uma profundidade de 13 km de profundidade do solo. Diosdado Cabello, ministro do Interior da Venezuela, confirmou o desabamento de diversos prédios e casas na capital. Os Estados Unidos, por meio do Serviço Geológico, disse que milhares de mortos devem ser registrados e estimou pelo menos 10 mil atingidos no primeiro momento.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/achei-que-era-labirintite-moradores-relatam-susto-apos-tremor-sentido-em-belem/

