Digimais teve consignado liberado por ex-diretor do INSS

Logotipo do banco Digimais. Foto: Reprodução.

O ex-diretor de Benefícios do INSS André Paulo Felix Fidelis, preso no escândalo envolvendo o órgão, assinou o documento que liberou empréstimos consignados para o Digimais, banco ligado ao bispo Edir Macedo e alvo da Polícia Federal na Operação Miragem.

A PF deflagrou a operação na terça-feira (23/6) para apurar um esquema de fraudes financeiras. Os agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão e a Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos alvos.

Fidelis está preso desde novembro do ano passado. Ele é suspeito de receber R$ 3,4 milhões em propinas entre 2023 e 2024 de operadores da chamada Farra do INSS.

Em nome do Digimais, um dos signatários do acordo foi o diretor João Alvos de Campos, que também virou alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Miragem. O acordo tem validade de cinco anos e saiu no Diário Oficial da União em 2024, no segundo ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Banco já enfrentava problemas financeiros quando recebeu autorização

Quando o consignado entrou em vigor, os problemas financeiros do Digimais já eram públicos. Como a prestação do empréstimo consignado sai diretamente da folha de pagamento, esse tipo de crédito costuma ter juros menores e pode ampliar a liquidez de bancos em crise.

Desde a pandemia de Covid-19, o Digimais enfrenta alta inadimplência, o que afetou sua liquidez. Relatórios de 2023 e 2024 apontam que a instituição precisou receber aportes de Edir Macedo para evitar a quebra.

André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor do INSS. Foto: reprodução

Em janeiro de 2025, o Banco Central rejeitou a venda do Digimais para o BlueBank, de Maurício Quadrado, ex-sócio do Master. Quadrado é investigado pela PF por crimes que teriam sido cometidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e parceiros.

Entre outubro de 2023 e janeiro de 2026, o Digimais fechou contratos com institutos de previdência municipais para conceder empréstimos consignados em ao menos dez municípios paulistas. A lista inclui Tupã, Pindamonhangaba, Praia Grande, São Sebastião, Ubatuba, Tambaú, Guarulhos, São Roque, São José do Rio Preto e a capital paulista.

O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) chegou a indeferir um pedido do banco para operar consignados. Em novembro de 2023, despacho no Diário Oficial apontou que o Digimais não atendia às exigências estabelecidas no Decreto nº 60.435/2014 e alterações posteriores.

Em junho de 2025, o secretário Caio Mário Paes de Andrade, da pasta de Gestão e Governo Digital, autorizou o credenciamento do banco como consignatário. A autorização também incluiu as categorias empréstimo bancário, cartão de benefício e cartão de crédito.

Edir Macedo não foi alvo dos mandados de busca e apreensão porque não mora no Brasil, mas a Justiça decretou a quebra de seu sigilo bancário e o bloqueio de bens. A investigação apura se o Digimais manipulou balanços, fraudou registros regulatórios e inflou artificialmente valores de ativos para esconder a real situação financeira da instituição, condutas que podem configurar crime contra o sistema financeiro.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/digimais-edir-macedo-consignado-ex-diretor-preso-inss/