Neonazista condenado por matar casal é preso na Itália

Bernardo Pedroso e Renata Ferreira. Foto: Reprodução.

O brasileiro João Guilherme Correa, condenado por matar a tiros o casal Bernardo Pedroso e Renata Ferreira em 2009, foi preso na manhã deste sábado (27) na região de Pavia, próxima a Milão, na Itália. Segundo a Polícia Civil do Paraná, ele era alvo de dois mandados de prisão.

Um dos mandados decorre da condenação pelo duplo homicídio ocorrido em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. O outro, de acordo com o delegado William Araújo Ribeiro, era um mandado de prisão preventiva por racismo e apologia ao nazismo.

João Guilherme tem 35 anos e foi localizado por autoridades italianas em uma ação de cooperação internacional que incluiu a Polícia Civil paranaense. A corporação informou que ele ficará à disposição das autoridades competentes para os procedimentos cabíveis, inclusive o processo de extradição.

A Justiça condenou Correa a 35 anos e dois meses de prisão, mas ele fugiu dias antes do julgamento, realizado sem a presença do réu. A reportagem do g1 informou que procurou a defesa de João Guilherme, mas não recebeu retorno até a última atualização.

João Guilherme Correa foi condenado por matar a tiros um casal, em 2009 — Foto: Reprodução/Polícia Civil do Paraná

Crime ocorreu após festa com tema ligado a Hitler

As investigações apontaram que as mortes tiveram motivação na disputa pelo comando de um grupo neonazista que simpatizava com os ideais de Adolf Hitler, responsável pelo genocídio de seis milhões de judeus durante o Holocausto. À época, Bernardo tinha 24 anos, e Renata, 21.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná, o casal saiu de uma festa realizada em uma chácara em Campina Grande do Sul, também na Região Metropolitana de Curitiba, com o tema dos 120 anos de nascimento de Hitler. Durante o trajeto, outro carro interceptou o veículo das vítimas no acostamento, em Quatro Barras.

A investigação afirma que dois suspeitos desceram encapuzados do segundo carro, armados com pistolas, e dispararam contra Bernardo e Renata, que morreram no local. Além de João Guilherme, outras pessoas responderam pelo crime nos processos julgados pela Justiça do Paraná.

Em março de 2025, Jairo Maciel Fisher recebeu pena de 32 anos e três meses de prisão. No mesmo julgamento de João Guilherme, Rodrigo Motta e Rosana Almeida Oliveira foram absolvidos. Ricardo Barollo, apontado como mandante do crime, foi julgado em maio do mesmo ano, condenado a 48 anos e 9 meses e preso logo após o julgamento.

A Polícia Civil do Paraná informou que equipes da Delegacia de Polícia de Sarandi tentaram localizar João Guilherme durante as investigações e cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados à família e a pessoas próximas a ele. Os policiais apreenderam celulares e reuniram elementos que indicavam que o condenado havia deixado o Brasil e estava na Europa.

“As informações obtidas pela equipe de investigação subsidiaram o trabalho de cooperação entre os órgãos de persecução penal, permitindo a localização e a prisão do investigado em território italiano”, afirmou o delegado William Araújo Ribeiro.

Em nota enviada pelo advogado José Carlos Portella Junior, a família de Renata Ferreira afirmou que espera a transferência do preso ao Brasil. “A família da Renata manifesta seu alívio ante a prisão do assassino que estava foragido. Agora os pais da vítima poderão fechar essa ferida e focar em manter a memória da Renata. A família dela espera que o assassino seja enviado em breve ao Brasil para que possa pagar pelo crime atroz que cometeu”, diz o texto.

No Brasil, a apologia ao nazismo com símbolos, emblemas ou propaganda do regime é crime inafiançável e imprescritível. A lei prevê reclusão e multa para práticas de discriminação ou preconceito e pena de dois a cinco anos de prisão para fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos como a suástica com finalidade de divulgação do nazismo.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/condenado-matar-casal-disputa-neonazista-preso-italia/