Cultura de dados é necessária, diz CIO da Ambipar

Ulisses AlemCIO da Ambipar, apresentou nesta quinta-feira, 25, uma perspectiva de que a tecnologia só tem valor quando consegue ser compreendida fora da área de TI. Sob o tema “Sistemas críticos vs. velocidade exponencial”, Alem compartilhou lições pontos da sua jornada de crescimento acelerado da Ambipar, posicionando a gestão de dados como ativo estratégico, não como questão técnica.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a evolução da arquitetura de dados de sua companhia. No modelo anterior, relatórios consolidados levavam até 30 dias para ficar prontos, um prazo incompatível com a velocidade das decisões de negócio. “A alta gestão quer ter dados do mês no mês, não depois de 30 dias, então a gente buscou criar essa implementação”, disse Alem.

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A solução passou pela criação de um data lake corporativo, que centralizou a ingestão de dados das dezenas de unidades de negócio adquiridas, eliminando integrações ponto a ponto e reduzindo o tempo de acesso a horas. “Centralizar dados através do data lake foi algo chave. As soluções vêm de um espírito de sobrevivência”, afirmou.

O executivo destacou que a centralização técnica, por si só, não resolve o problema. Antes de construir a estrutura de dados, a Ambipar precisou criar um dicionário corporativo, uma linguagem comum que definisse o que cada métrica significa em 41 países com culturas e sistemas distintos. Sem isso, alertou Alem em sua apresentação, “o data lake vira um pântano”.

Cultura de dados

O CIO foi enfático ao tratar da dimensão humana da transformação, fazendo um alerta para os convidados.”Nós temos que mudar a cultura dos dados, não basta só orquestrar e organizar os dados, também tem a parte de cultura.” Para ele, ferramentas avançadas de dados perdem o efeito se as equipes não estiverem preparadas para usá-las. “É importante ter as áreas treinadas a usar as ferramentas”, ressaltou.

O executivo também defendeu que a previsibilidade de dados como prioridade estrutural: “É necessário uma visão única e acelerada para ter previsibilidade de dados.” A centralização de dados da Ambipar permitiu, consolidar a visão da organização de todas as unidades de negócio de maneira estruturada, condição que ele classificou como transformadora para a governança de tecnologia da empresa.

Tecnologia como habilitador de receita

Ao apresentar um caso de parceria entre duas unidades de negócio adquiridas, Alem sintetizou sua visão sobre o papel da TI. “Tecnologia integra oportunidade.” No exemplo citado, a criação de um catálogo unificado de serviços via API permitiu que os times comerciais de uma empresa passassem a vender os serviços de outra, sem reestruturação operacional.

A abordagem de arquitetura adotada pela Ambipar segue o princípio de envolver uma governança mais rígida nos bastidores da tecnologia, com autonomia de inovação nas bordas do negócio. O modelo, segundo o palestrante, foi o que permitiu sustentar sistemas críticos enquanto a empresa crescia em ritmo exponencial.

No encerramento, Alem trouxe uma provocação sobre o perfil esperado do líder de tecnologia. “O CIO não é mais a pessoa que só traz tecnologia. Ele tem que ter a vivência digital, óbvio, mas ele tem que ser um parceiro de negócio, com confiança de estratégia, resiliência e uma noção de competitividade.”

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/cultura-de-dados-e-cio-da-ambipar/