Como evitar que a tecnologia substitua o conhecimento das equipes

Em setores em que a experiência acumulada é tão valiosa quanto a tecnologia, a inteligência artificial (IA) chega como aliada, mas também como desafio. Esse foi o tema do painel realizado na sexta-feira, 26, durante o segundo dia do IT Forum Na Mata, com o gerente operacional do Sicoob, Anderson Thiago Amorim, e o CIO da uisa, Lucas Passos.

Um dos casos apresentados foi da própria uisa. “Na produção de açúcar, cada operador tinha um setup que calculava a produção por meio de IA”, contou Passos.

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O desafio, porém, não é tecnológico, mas cultural. Justamente no agronegócio, os profissionais carregam décadas de conhecimento sobre plantio, processos e operação. “Apesar desse sucesso, as pessoas mais experientes não querem abrir espaço para a tecnologia. Elas têm muito conhecimento, mas extrair essa informação delas é difícil”, complementou o CIO.

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O júnior que entrega, mas não aprende

Se de um lado o obstáculo é convencer quem já sabe muito, do outro o risco é oposto. Profissionais entregam resultados sem necessariamente compreender o processo. “Existem muitos profissionais júnior dentro das empresas sendo tratados como sênior porque estão entregando, mas na verdade quem está entregando é uma IA”, alertou Amorim.

A preocupação é com a formação de uma geração que, diante de uma falha sistêmica ou de uma situação que exija julgamento de negócio, não saiba como agir. “É preciso implementar inovação, mas não podemos ficar dependentes dela. É necessário saber como trabalhar sem ela”, reforçou o gerente do Sicoob.

Para Passos, o processo de adaptação digital divide as equipes. “Algumas pessoas buscam crescer e continuam, mas quem não quer melhorar acaba saindo.”

Já Amorim defendeu que a responsabilidade não pode ser apenas do colaborador. “Não podemos simplesmente demitir. Tentamos gerar estudo, certificação e realocação”, relatou, ao falar sobre a centralização da área de segurança no Sicoob e os processos de requalificação que acompanharam essa mudança.

Na uisa, a solução encontrada para orientar a digitalização foi aproximar os profissionais de TI das áreas de negócio. “Às vezes as pessoas recebiam a demanda, mas não entendiam o negócio. Passamos a colocar uma pessoa de TI em cada área para atuar em conjunto com as equipes”, relatou Passos.

Inovação com propósito e retorno

Outro ponto de consenso foi a crítica à inovação como fim em si mesma. “Inovação não é só entrega. É preciso mostrar retorno, resultado e qual problema do cliente está sendo resolvido”, questionou Amorim. “Não se inova só para dizer que foi o pioneiro”, completou.

Esse cenário se reflete nos dados. Segundo a pesquisa State of AI in the Enterprise, da Deloitte, 42% das empresas brasileiras ouvidas empregam IA para promover mudanças estruturais, acima da média global de 34%, ritmo que, na avaliação dos executivos, exige direcionamento claro para não gerar dependência.

Para Passos, inovar também tem uma dimensão social. “Todo projeto de inovação que busca resultado para a empresa deve também gerar benefícios para a população daquele local.”

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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/executivos-dilema-da-ia-equipes/