O empresário que quer “privatizar” Venezuela e Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o empresário Peter Thiel. Foto: Reprodução

Uma investigação do site More Perfect Union mostrou que o empresário, investidor e ativista político germano-americano Peter Thiel tem financiado projetos voltados à criação de cidades privatizadas e administradas como empresas, com iniciativas que aparecem em diferentes regiões do mundo, incluindo Gaza, Venezuela e pequenas cidades dos Estados Unidos, como na Califórnia.

A proposta do aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolve reorganizar funções do Estado para estruturas corporativas com lógica de mercado e gestão orientada por lucro.

O modelo parte da ideia de substituir governos tradicionais por empresas privadas, transformando cidades em unidades administrativas controladas por CEOs e fundos de investimento. Nesse formato, serviços públicos deixariam de ser responsabilidade do Estado e passariam a ser operados como negócios.

O movimento é impulsionado por setores da elite tecnológica que defendem a substituição da política institucional por soluções corporativas e tecnológicas. A visão inclui a redução do papel do Estado e a transferência de funções públicas para plataformas privadas de gestão.

Entre as iniciativas associadas a esse ecossistema está o Instituto Seasteading, apoiado por Thiel, que propõe a criação de comunidades flutuantes no mar com governos próprios e autonomia regulatória. O projeto se baseia na ideia de criar novas jurisdições fora das leis nacionais tradicionais.

Essas propostas se conectam a correntes libertárias do Vale do Silício e a experiências que buscam testar modelos de governança sem participação direta do Estado. A lógica é permitir que diferentes “cidades-experimento” concorram entre si como produtos no mercado.

Empresas e organizações ligadas ao chamado GovTech fornecem tecnologia para governos, ao mesmo tempo em que ampliam a digitalização e a terceirização de funções públicas. Esse processo é apresentado como modernização, mas envolve crescente dependência de plataformas privadas.

Projetos de cidades privadas e zonas econômicas especiais aparecem em diferentes países, com apoio de investidores do setor de tecnologia. Essas iniciativas incluem planos urbanísticos e administrativos desenhados para operar com baixa regulação estatal e alta participação do capital privado.

Em Honduras, o projeto Prospera se tornou um dos exemplos mais citados desse modelo, funcionando como uma zona econômica especial com ampla autonomia regulatória e forte presença de empresas privadas na gestão de serviços e infraestrutura local.

Nos Estados Unidos, esse ecossistema também se conecta a setores políticos de direita e propostas de criação de zonas de baixa regulação para empresas, com apoio de figuras do governo e de grupos ligados ao setor de tecnologia e defesa.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-empresario-que-quer-privatizar-venezuela-e-gaza/