Advogado de Bolsonaro se reúne com Moraes e pede manutenção da prisão domiciliar

O advogado Paulo Cunha Bueno, que atua na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se reuniu nesta terça-feira (30) com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir a manutenção da prisão domiciliar humanitária do ex-mandatário.

No encontro, a defesa apresentou argumentos sobre o estado de saúde de Bolsonaro e também tratou do episódio envolvendo uma arma encontrada na residência do ex-presidente. Moraes é o relator do processo de execução penal da AP 2268 no STF.

Segundo Cunha Bueno, o ministro ouviu os argumentos da defesa e demonstrou preocupação com a condição médica de Bolsonaro e com os cuidados dispensados ao ex-presidente.

“O Ministro relator, com muita urbanidade, deu audição atenta aos argumentos trazidos — tanto no que tange à atual situação médica, quanto à questão referente a arma havida na residência —, deixando assente sua preocupação em relação à condição de saúde e aos cuidados que vem sendo dispensados.”

A defesa sustenta que Bolsonaro preenche os requisitos humanitários para permanecer em prisão domiciliar excepcional. O pedido ocorre em meio à análise do STF sobre a continuidade ou eventual revisão das condições impostas ao ex-presidente.

“Tenho que os argumentos trazidos, sobre ambos os tópicos a serem apreciados, são relevantes e encontram-se com fundamentos bastantes para a manutenção do regime domiciliar, na medida em que o Presidente, à notória evidência, ostenta os requisitos de cariz humanitário a justificar a custódia domiciliar excepcional.”

https://x.com/paulocunhabueno/status/2072013294387257629

A arma de Bolsonaro

O caso ganhou novo desdobramento após a descoberta de uma arma ligada a Bolsonaro em posse de um de seus seguranças. Diante do episódio, Moraes pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a situação do ex-presidente.

Além disso, relatórios médicos encaminhados ao Supremo apontam que Bolsonaro apresentou piora recente no quadro de saúde, com episódios de picos hipertensivos e necessidade de doses extras de medicação.

Até o momento, Moraes ainda não decidiu sobre o pedido da defesa.

Bolsonaro teve picos de pressão após vídeo de Michelle atacando Flávio

O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou episódios recentes de elevação da pressão arterial, segundo relatório médico encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. O documento, protocolado como parte das exigências para manutenção da prisão domiciliar, informa que a equipe médica precisou recorrer a doses adicionais de medicamentos para controlar “picos hipertensivos moderados“.

Os boletins de saúde são enviados semanalmente ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal envolvendo o ex-presidente. O relatório mais recente, datado de sexta-feira (26), também aponta a manutenção do tratamento para episódios prolongados de soluços, condição que vem sendo acompanhada pelos médicos dentro dos limites considerados seguros.

Segundo o documento, alguns dos medicamentos utilizados têm provocado efeitos colaterais como sonolência durante o dia e episódios de desequilíbrio físico.

O cardiologista Brasil Ramos Caiado informou ainda que Bolsonaro continua apresentando sequelas decorrentes da pneumonia diagnosticada em março deste ano.

— “Ausculta cardíaca normal, ausculta pulmonar com alteração residual na base do pulmão esquerdo”, registrou o médico no relatório.

Quadro menos favorável

O boletim apresenta um quadro menos favorável em comparação ao divulgado na semana anterior, quando a equipe médica havia relatado melhora da disposição física e redução da frequência dos episódios de soluço.

A situação de saúde ocorre enquanto Bolsonaro aguarda uma decisão de Alexandre de Moraes sobre a eventual prorrogação da prisão domiciliar concedida por razões médicas. O prazo da medida expirou na quinta-feira (25), e o ministro avalia se manterá ou não o benefício. A Procuradoria-Geral da República defende que a definição ocorra após a conclusão das investigações relacionadas à apreensão de uma arma associada ao ex-presidente.

A crise familiar

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Paralelamente ao quadro de saúde e às questões judiciais, Bolsonaro enfrenta uma crise política e familiar envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.

De acordo com aliados, Michelle informou previamente ao ex-presidente que gravaria o vídeo divulgado na última quarta-feira (24), no qual acusou Flávio de lhe aplicar uma “punhalada”. A manifestação pública expôs divergências internas no grupo político bolsonarista e aprofundou o desgaste entre a ex-primeira-dama e o senador, apontado como pré-candidato à Presidência da República.

Segundo interlocutores próximos à família, Michelle afirmou ter chegado “ao limite” após ataques recebidos nas redes sociais por parte de apoiadores ligados aos filhos do ex-presidente.

Um aliado de Bolsonaro relatou que não é possível afirmar se o ex-presidente autorizou a divulgação do vídeo, mas disse que ele compreendeu a decisão da esposa.

— “Ele está na Faixa de Gaza. Deixou ela desabafar”, afirmou o interlocutor.

A mesma fonte acrescentou:

— “Ela estava engasgada com o que sofreu e ele não conseguiria impedir que ela falasse”.

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/bolsonaro-moraes-prisao-domiciliar/