Michelle Bolsonaro avisou Valdemar Costa Neto nesta terça-feira (30) que deixaria o PL, mas foi convencida por aliadas a recuar. A ex-primeira-dama saiu da reunião com o presidente da legenda decidida a se desfiliar, em meio à crise pública com Flávio Bolsonaro, pré-candidato do partido à Presidência.
O recuo ocorreu após intervenção da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que convenceram Michelle a permanecer na sigla. Em vez de sair do partido, ela decidiu deixar apenas a presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023.
A decisão amplia a crise aberta no bolsonarismo desde que Michelle acusou Flávio Bolsonaro de tê-la “maltratado” e “desrespeitado” em uma ligação telefônica. O atrito envolveu a posição do PL no Ceará: Flávio Bolsonaro e a cúpula da legenda defendem apoio a Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual, enquanto Michelle Bolsonaro se opõe à articulação.
Segundo relatos de aliados, Michelle também comunicou a parlamentares próximas que não quer mais concorrer ao Senado pelo Distrito Federal. Ela estaria “esgotada” com a repercussão da briga e preocupada com o impacto da crise sobre as filhas.

Aliadas ainda tentam fazê-la recuar da desistência. A estratégia é usar o período até as convenções partidárias, em agosto, para reconstruir um acordo interno e tentar manter Michelle Bolsonaro na chapa. O plano original do PL previa Michelle e Bia Kicis como candidatas ao Senado, com Celina Leão na disputa pelo governo do Distrito Federal.
A crise escalou depois dos vídeos publicados por Michelle Bolsonaro na semana passada. Ela afirmou que Flávio Bolsonaro foi ríspido ao telefone e que aliados do senador promoveram ataques coordenados contra ela nas redes. Entre os nomes citados nos bastidores estão Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Paulo Figueiredo.
Flávio Bolsonaro tentou atrair Michelle para um evento de sua pré-campanha voltado a mulheres, marcado para esta quarta-feira, mas ela não deve comparecer. Valdemar Costa Neto tenta reduzir o dano interno e afirmou, após a saída dela do PL Mulher, que “o PL cresceu demais” e que divergências também crescem.
O futuro político de Michelle Bolsonaro ficou mais incerto. Ela permanece no PL por pressão de aliadas, mas deixa a principal vitrine feminina do partido, rejeita a candidatura ao Senado e se afasta da pré-campanha de Flávio Bolsonaro no momento em que a direita tenta vender unidade para 2026.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-articulacao-que-impediu-michelle-bolsonaro-de-se-desfiliar-do-pl/

