O ator Dover Godoi Buzoni, selecionado para o elenco de apoio de “Dark Horse”, afirmou que só descobriu no set que participaria de um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo relato à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, os anúncios em grupos de figuração diziam apenas que se tratava de uma obra estrangeira rodada em São Paulo.
Dover contou que chegou ao set, no Hospital Indianópolis, na capital paulista, para uma gravação em novembro de 2025. No local, recebeu uma farda para interpretar um policial e estranhou o clima entre colegas que já estavam na produção desde cedo.
A informação sobre o tema do filme teria vindo de uma atriz. “Eu perguntei a uma das atrizes qual era a produção e ela me disse que era o filme biográfico do Bolsonaro, que na época eu nem sabia que existia”, afirmou. Ele diz que só acreditou quando viu uma prancheta com nomes dos filhos do ex-presidente.
Segundo o ator, é comum que produções audiovisuais mantenham sigilo sobre nome e enredo para evitar vazamentos. Ele afirma, porém, que o padrão da indústria é contextualizar os profissionais sobre temas sensíveis antes da gravação. “O rosto e o nome são meus, eu decido onde eles vão estar”, disse.

Dover relatou que, após descobrir o tema do longa, avisou a equipe que não participaria das filmagens e foi liberado no mesmo dia. Ele afirmou ainda que pelo menos duas funcionárias da produção também demonstraram desconforto ao saberem do enredo.
Procurada pela Folha, Karina Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, disse que a admissão dos figurantes foi feita por empresas especializadas em casting, responsáveis pelo recrutamento, contratação e pagamento. Ela citou D’Angelo Produções, Produções Josy e Agnaldo Baliza Produções Ltda. como companhias contratadas.
O relato se soma a denúncias já reunidas pelo Sated-SP sobre as condições de trabalho no filme. Figurantes relataram comida estragada, assédio moral, cachês abaixo do padrão de mercado e fornecimento de apenas um kit lanche para oito horas de trabalho. A produção entrou no centro da crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro após a revelação de aporte de R$ 61 milhões ao longa.
Segundo Dover, foi oferecida uma diária de R$ 170, valor que aparece no dossiê do sindicato como remuneração do elenco de apoio. O documento também relata figurantes recebendo R$ 100 por dia. A convenção coletiva do Sated-SP para 2026/2027 prevê diária de R$ 500 para elenco de apoio em cinema e R$ 227,14 para figurantes.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/ator-diz-que-descobriu-no-set-que-participaria-de-dark-horse-e-nao-quis-participar/

