Bolsonaro chamou Michelle de “incontrolável” no PL

Michelle Bolsonaro e Jair Bolsonaro – Reprodução

Jair Bolsonaro definiu Michelle Bolsonaro como “incontrolável” a aliados em mais de uma ocasião e disse a dirigentes do PL que a ex-primeira-dama jamais poderia disputar a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação antecedeu o vídeo em que Michelle acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu enteado, de humilhá-la ao telefone. Com informações do Estadão.

A crise ganhou força depois que Michelle afirmou ter falado “quase tudo” sobre Flávio, frase que aliados leram como ameaça de novas revelações. O atrito atingiu a articulação eleitoral do PL, que tenta organizar candidaturas ao Senado e ao Palácio do Planalto em meio à disputa interna da família Bolsonaro.

Disputa de 2022 aproximou Michelle de Damares

Quando ainda podia receber visitas, Bolsonaro citou a aliados uma queda de braço de 2022 com Michelle. Naquele ano, ele apoiava a candidatura de sua ex-ministra Flávia Arruda (PL), hoje Flávia Péres, a uma vaga no Senado, mas Michelle saiu às ruas para pedir votos a Damares Alves (Republicanos), também ex-ministra.

Bolsonaro evitou entrar na campanha de Flávia para não abrir um conflito público com a mulher. Damares venceu a eleição e se manteve entre as amigas mais próximas de Michelle, que a chamava de “Damaroca” nas sessões de cinema que reuniam as duas, o jurista Ives Gandra Martins, Ângela Martins e um casal de amigos no Palácio da Alvorada.

PL tenta manter Michelle no partido e conter danos

Damares atua agora para reduzir a tensão entre Michelle e Flávio. Ela foi a primeira a saber que a ex-primeira-dama pretendia deixar o comando do PL Mulher e, ao lado da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, conseguiu convencê-la a não se desfiliar do partido.

Michelle, mesmo sem romper com o PL, ainda ameaça não concorrer ao Senado. Valdemar Costa Neto, presidente do partido, quer que ela dispute uma cadeira, mas também tenta evitar que a ex-primeira-dama se transforme em uma espécie de “Pedro Collor” do século XXI, referência às denúncias de Pedro Collor contra o irmão Fernando Collor de Mello que antecederam o impeachment de 1992.

Valdemar e Michelle conversaram a portas fechadas nesta terça-feira, 30, na sede do PL, mas não chegaram a um acordo. A ex-primeira-dama avisou que não irá ao encontro de Flávio com mulheres marcado para 1º, público em que o senador enfrenta seu maior índice de rejeição, e indicou que não pretende recuar na disputa.

Vídeo de Garotinho levou Banco Master à disputa interna

Michelle também compartilhou nesta segunda-feira, 29, um vídeo do ex-governador do Rio Anthony Garotinho sobre uma festa patrocinada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, chamada “Noite das Astronautas”. Na gravação, Garotinho afirma ter visto cenas em que “homens que defendem a família” aparecem com “mulheres peladas” estrangeiras, “ucranianas ou russas”, vestidas com capacete espacial.

O nome de Flávio não foi citado nas festas de Vorcaro, mas adversários passaram a associá-lo ao “esquema Master” depois da revelação de que ele negociou com o banqueiro US$ 24 milhões para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Bolsonaro. Garotinho também disse ter sido procurado por “pessoas próximas” a Michelle que queriam saber quais políticos estavam na festa e respondeu: “Da minha parte, nem você nem ninguém vai saber. Não estou aqui para enfrentar uma tirada de candidatura no tapetão”.

 

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-aliados-bolsonaro-chamou-michelle-de-incontrolavel-e-disse-ja-ter-sido-desafiado-por-ela/