Damares não vai a ato com mulheres conservadoras e deve ser a próxima a abandonar Flávio Bolsonaro

Damares Alves (Republicanos-DF) avisou que não irá ao encontro de mulheres conservadoras organizado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nesta quarta-feira (1º), em Brasília, e ameaça deixar a colaboração com o plano de governo da pré-campanha do senador ao Palácio do Planalto.

Segundo apuração de Malu Gaspar, no jornal O Globo, a senadora se irritou com a ofensiva de aliados de Flávio nas redes contra ela e contra Michelle Bolsonaro. A crise se arrasta desde que a ex-primeira-dama publicou um vídeo de 27 minutos com críticas ao enteado e expôs divergências internas sobre palanques estaduais do PL.

Damares foi sondada para contribuir com propostas nas áreas de direitos humanos e assistência social. O convite partiu de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro e cotada para ser vice de Flávio, num aceno ao eleitorado feminino, considerado um dos pontos mais frágeis da pré-candidatura.

Damares Alves expõe desgaste no ato de Flávio Bolsonaro

A resposta pública de Damares sobre o encontro mostrou que o problema avançou. Questionada ao chegar ao plenário do Senado na terça-feira (30), a parlamentar descartou presença na agenda: “Não vou. Acho que a Michelle também não”.

O evento foi montado pela pré-campanha de Flávio para tentar sinalizar aproximação com mulheres conservadoras. Mas, segundo a Coluna do Estadão, além de Damares e Michelle, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), uma das cotadas para compor a chapa como vice, também não deve comparecer.

Com isso, o encontro corre o risco de reunir apenas bolsonaristas mais fiéis ao senador, como as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Júlia Zanatta (PL-SC). Aliados de Flávio temem que a agenda vire um ato para a própria bolha, em vez de ampliar pontes com mulheres de centro e eleitoras fora do núcleo duro do bolsonarismo.

Paulo Figueiredo acirra crise com Damares e Michelle

O desgaste ganhou força depois de ataques feitos por Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro e conselheiro político frequente dos filhos de Jair Bolsonaro. Em uma publicação nas redes, ele ironizou a indefinição de Damares sobre o encontro de Flávio.

“Se fosse da Janja ou da Maria do Rosário estariam todas unidas, certo?”, escreveu Figueiredo, em referência à primeira-dama Janja da Silva e à deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), após Damares dizer que estava “orando” para decidir se participaria da agenda.

Damares reagiu defendendo sua militância conservadora e convidou Figueiredo, que vive nos Estados Unidos, a visitar seu gabinete em Brasília. O bolsonarista respondeu insinuando que a senadora não abraçou a agenda contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e que teria aderido à “militância feminista” e a “projetos bastante esquisitos” para a direita.

“E aí, podemos contar com seu apoio ao Flávio ou ainda está ‘orando’?”, retrucou Figueiredo.

A crise escalou ainda mais depois de outra fala do influenciador. Como mostrou a Fórum, Paulo Figueiredo foi alvo de reação após dizer que “mulher vota muito mal”. O silêncio de Flávio diante dos ataques passou a incomodar mulheres do próprio campo conservador.

Michelle deixa PL Mulher e racha atinge campanha de Flávio

O pano de fundo da crise é a ruptura pública entre Michelle e Flávio. No vídeo divulgado na semana passada, a ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada e humilhada pelo senador em meio à disputa por espaços no PL e por palanques estaduais.

Michelle também denunciou a atuação de um “grupo do exterior” em ataques à sua vida política e pessoal, numa referência indireta a Eduardo Bolsonaro e a militantes bolsonaristas que vivem fora do Brasil. Oswaldo Eustáquio, outro apoiador da família Bolsonaro que mora na Espanha, também disparou críticas contra Damares e fez insinuações sobre a vida conjugal da senadora, segundo a apuração de O Globo.

Na noite de terça-feira (30), Michelle renunciou à presidência do PL Mulher após uma conversa com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido. Damares divulgou nota em apoio à aliada e afirmou que a decisão da ex-primeira-dama demonstra que ela “tem uma causa, e não um projeto de poder”.

“A Michelle não está jogando a toalha. Ela plantou a semente e nos deu as ferramentas. O recado dela para cada uma de nós é claro: fiquem firmes! Estejam prontas para os desafios da política. A colheita de tudo o que ela plantou começou agora, e nós somos a continuidade dessa missão”, escreveu Damares.

O movimento deixa Flávio em uma situação delicada. O senador tenta construir uma candidatura presidencial em torno do sobrenome Bolsonaro, mas vê três mulheres estratégicas, Michelle, Damares e Tereza Cristina, se afastarem justamente da agenda criada para reduzir sua rejeição entre eleitoras.

O eleitorado feminino representa a maioria dos votantes no país, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ausência das principais lideranças conservadoras no encontro desta quarta transforma a agenda em novo termômetro do racha bolsonarista.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/damares-nao-vai-campanha-flavio/