Estadão descobre que Flávio Bolsonaro é entreguista e critica: “Rebaixa o Brasil ante os EUA”

O senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O Estadão parece ter perseguido o entreguismo de Flávio Bolsonaro. Em editorial nesta quarta-feira (1°), o jornal liberal criticou o envio de uma carta a Marco Rubio (secretário de Estado dos EUA) oferecendo, caso eleito, a “equipe de transição” para discutir um acordo comercial, implorando que os EUA desistam das tarifas contra o Brasil. Na opinião, o jornal criticou a submissão, afirmando que a lei brasileira (10.609/2002) restringe a transição a atores nacionais, e que a oferta é ilegal e demonstra a “visão opaca” do bolsonarismo.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, na qual implorou que o governo dos EUA desista de impor novas tarifas ao Brasil e prometeu que, caso seja eleito, colocará à disposição da Casa Branca sua “equipe de transição” para discutir um “amplo acordo de comércio e investimentos”. Ou seja, na desesperada tentativa de se desvincular da punição tarifária americana ao Brasil, pela qual seu irmão Eduardo Bolsonaro tanto trabalhou, Flávio Bolsonaro ofereceu aos americanos a possibilidade de palpitar sobre a transição de governo no Brasil – um acinte que, se concretizado, equivaleria a rebaixar o País à condição de colônia americana. […]

Ademais, por pior que já seja ver um postulante à chefia de Estado flertando com uma ilegalidade explícita antes mesmo de ser eleito, há algo ainda mais perturbador: a oferta de Flávio sintetiza a opaca visão de mundo do bolsonarismo, que certamente prevalecerá sob seu eventual governo. […]

Eis por que a carta de Flávio a Rubio diz tudo o que os eleitores precisam saber do pré-candidato. Não há, no texto, nenhuma menção às assimetrias que qualquer acordo precisa eliminar, às salvaguardas que protegeriam nossa indústria, nosso agro, nosso mercado financeiro. Em vez disso, há uma disponibilidade praticamente incondicional, retrato fiel da sabujice do clã Bolsonaro aos EUA e ao presidente Donald Trump, em particular. […]

O Brasil tem interesses comerciais e geopolíticos que vão da China à União Europeia, dos países africanos aos nossos vizinhos sul-americanos. Temos uma relação mais sólida a ser construída com países asiáticos. […]

Como dissemos, a relação com os EUA importa, e muito, para o Brasil. Mas importa como relação entre dois Estados que têm interesses, não afinidades pessoais entre seus governantes. O que Flávio ofereceu a Rubio não é parceria, é submissão. […]

O Brasil merece um chefe de Estado que entenda que subserviência disfarçada de “alinhamento estratégico” ainda é subserviência, que comércio internacional é um jogo de interesses, não de lealdades pessoais, e que a relação com os EUA, por mais relevante que seja, é apenas uma entre muitas.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/estadao-descobre-que-flavio-bolsonaro-e-entreguista-e-critica-rebaixa-o-brasil-ante-os-eua/