A atriz e humorista Rafaela Azevedo afirmou que o espetáculo “A Igreja da Fran” sofreu censura em Curitiba após o cancelamento da apresentação marcada na Ópera de Arame. Segundo a artista, a produção local informou que o teatro rompeu o contrato a mando da prefeitura, sob a alegação de que a peça iria contra “a moral e os bons costumes”.
A apresentação estava prevista para 23 de agosto, com ingressos à venda e boa procura do público. Rafaela confirmou a versão que já havia publicado nas redes sociais e resumiu o caso: “Sim, é censura! E ponto.”
De acordo com a artista, a explicação recebida foi a de que o espaço pertence à prefeitura, o que daria à gestão municipal poder sobre a programação. Ela suspeita que os responsáveis não tenham se atentado ao título da peça nem ao nome dela no contrato e que, após o início da divulgação, decidiram barrar o espetáculo.
Rafaela já havia se apresentado no mesmo teatro em 2025, quando levou “King Kong Fran” à Ópera de Arame com plateia lotada. “King Kong Fran” e “A Igreja da Fran” integram uma trilogia produzida por financiamento coletivo, sem dinheiro de renúncia fiscal ou leis de incentivo à cultura.

Montagens tratam de misoginia, fé e violência contra mulheres
A montagem anterior ultrapassou 150 mil espectadores no Brasil e no exterior e mirou o universo red pill, o patriarcado, a misoginia, o machismo e a objetificação da mulher. “A Igreja da Fran” aborda a exploração da fé e narrativas religiosas que endossam violências do patriarcado contra mulheres e pessoas LGBTQIAPN+.
A peça segue em temporada no teatro Frei Caneca, em São Paulo, enquanto Rafaela estuda alternativas em espaços privados para apresentar o espetáculo em Curitiba. A reportagem procurou a produtora local e a DC Set Group, empresa concessionária do Parque das Pedreiras, responsável pelo teatro, mas não recebeu resposta; a Ópera de Arame continua aberta.
Curitiba teve pressões recentes contra shows e cenas de nudez
O caso ocorre após outras pressões contra artistas em Curitiba. Em outubro de 2025, o vereador Guilherme Kilter (Novo) promoveu uma campanha pelo cancelamento do show do humorista Tiago Santineli, apoiador do presidente Lula, no Teatro do Bom Jesus. O espaço privado alegou ao artista que impediria o evento por causa de um serviço de impermeabilização no telhado na data da apresentação. Nas redes sociais, Kilter declarou: “Eu parabenizo os teatros por se recusarem a receber o show desse cidadão. A verdade é que em Curitiba nós defendemos a vida e os valores cristãos”.
O mesmo vereador apresentou uma moção de repúdio contra um show de Anitta na cidade, mas não conseguiu cancelar o evento. Artistas locais também relatam que enfrentam censura e precisam retirar cenas de nudez de obras, mesmo em montagens voltadas ao público maior de 18 anos. Em dezembro de 2025, a Câmara aprovou uma lei proposta por João Bettega (União) que restringe cenas de nudez em espaços públicos ou abertos ao público; ele justificou a medida acusando a Companhia Selvática de usar cenas para promover “mensagens ideológicas e políticas em ambientes abertos”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/atriz-acusa-censura-apos-cancelamento-de-peca-no-pr-contra-a-moral-e-os-bons-costumes/

