Governo teme efeito de sanções dos EUA sobre PCC

Palácio da Justiça – Reprodução

O Ministério da Justiça acompanha com preocupação as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos a brasileiros investigados por suposta ligação com o PCC, por avaliar que a medida pode atingir terceiros e instituições financeiras do país. Os alvos individuais são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

As sanções também alcançam empresas ligadas ao caso: Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., esta última sediada em Portugal. A medida ocorreu após o governo americano classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, disse que o governo não defende investigados por crimes, mas teme os efeitos indiretos da decisão americana. “Não defendemos criminosos. O que tememos é que essa espetacularização gere efeitos secundários sobre pessoas que não têm ligação com o crime e sobre instituições financeiras brasileiras”, afirmou em entrevista ao g1.

O comunicado do governo dos EUA determina o bloqueio de todos os bens dos sancionados que estejam em território americano e a comunicação desses ativos ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, órgão do Departamento do Tesouro. Empresas que pertençam, direta ou indiretamente, em 50% ou mais às pessoas sancionadas também entram no bloqueio.

Comunicado do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sobre sanções a brasileiros
Comunicado do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sobre sanções a brasileiros e empresas. Foto: Reprodução

Ministério defende cooperação e cita risco a bancos

Maria Rosa Guimarães Loula afirmou que as investigações americanas avançaram com base em informações produzidas por autoridades brasileiras, mas defendeu maior intercâmbio de dados entre os dois países. “Não acreditamos em medidas unilaterais. Os Estados Unidos atuaram com base em informações e conceitos que saíram do Brasil. Se tivessem compartilhado mais informações conosco, poderíamos ajudá-los”, disse.

A secretária citou como exemplo o caso do México, onde os Estados Unidos anunciaram em junho sanções contra CIBanco, Intercam Banco e Vector Casa de Bolsa. As instituições mexicanas foram acusadas de facilitar operações de lavagem de dinheiro ligadas ao tráfico de drogas e tiveram restrições de acesso ao sistema financeiro americano.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira não têm ligação com o PCC, em divergência com a avaliação das autoridades americanas. O governo dos EUA sustenta que Shimada comandava em São Paulo uma estrutura de lavagem de dinheiro conectada a integrantes da facção radicados na Flórida.

As autoridades americanas afirmam que o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões em recursos de origem ilícita e usou criptomoedas para transferir valores do tráfico internacional de drogas. Stella, segundo os EUA, é parente de Shimada, atuou como secretária dele e teria intermediado a coleta de grandes quantias em dinheiro; ela não tem antecedentes criminais nem responde a processos.

Victor Shimada foi preso preventivamente em dezembro de 2024 no Brasil em uma investigação sobre lavagem de dinheiro relacionada ao caso Corinthians-VaideBet. Em janeiro de 2025, passou por prisão domiciliar por curto período e depois obteve habeas corpus mediante pagamento de fiança; recentemente, a 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo o condenou a cinco anos de reclusão, em regime semiaberto, por lavagem de dinheiro, mas ele responde em liberdade, não usa tornozeleira eletrônica e está proibido de deixar o país.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/governo-teme-efeito-de-sancoes-dos-eua-a-brasileiros-acusados-de-ligacao-com-o-pcc/