O governo brasileiro afirmou ter recebido com “preocupação” a decisão dos Estados Unidos de impor sanções contra dois cidadãos do país e três empresas brasileiras por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida foi anunciada pelo Departamento do Tesouro norte-americano e reacendeu discussões sobre cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Segundo a Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), vinculada ao Ministério da Justiça, a decisão não surpreende o governo, embora seja acompanhada com atenção. A avaliação interna é de que o movimento dos Estados Unidos já vinha sendo sinalizado em etapas anteriores de classificação da facção criminosa.
O governo norte-americano afirma que o PCC é atualmente a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental, com atuação ligada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro em diferentes países.
As sanções determinam bloqueio de bens e proibição de transações financeiras com os alvos em território norte-americano.
De acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA, as medidas fazem parte de uma estratégia de combate a redes financeiras associadas ao tráfico internacional de drogas. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) afirma que o PCC mantém operações em diversos países e representa risco crescente à segurança dos Estados Unidos.
Com a decisão, qualquer ativo dos sancionados sob jurisdição norte-americana fica bloqueado, e cidadãos ou empresas dos EUA ficam proibidos de realizar negócios com os alvos. O alcance pode se estender a instituições estrangeiras que mantenham relações financeiras consideradas relevantes com os investigados.
Governo brasileiro monitora possíveis efeitos indiretos
O governo brasileiro avalia que a medida não tem efeito direto fora dos Estados Unidos, mas pode gerar repercussões no sistema financeiro internacional. A preocupação principal é o risco de sanções secundárias e de impactos indiretos sobre bancos e empresas em outros países.
A Senajus informou que o Ministério da Justiça está analisando o histórico dos envolvidos e verificando possíveis conexões com atividades criminosas organizadas. Paralelamente, o governo acompanha os desdobramentos da decisão, especialmente no que diz respeito às consequências financeiras globais.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/governo-sancoes-eua/

