“Malafaia, Poncio e Edir Macedo usam a igreja para enriquecer”, diz pastor Henrique Vieira

Nesta quinta-feira (2), a Polícia Federal deflagrou a Operação Unha e Carne, prendendo o pastor Márcio Poncio em um flat na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, e cumprindo novos mandados de prisão preventiva contra o bicheiro Adilsinho e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, ambos já encarcerados por fases anteriores da mesma investigação.

Preso pela PF, o pastor Márcio Poncio é investigado por possíveis ligações com a chamada “Máfia do Cigarro”, que possui conexões com o contraventor Adilsinho.

Diante da prisão de Márcio Poncio, o deputado federal Henrique Vieira (PSOL-RJ), que também é pastor, publicou um vídeo em que chama a atenção para líderes religiosos que, segundo ele, têm usado a igreja para enganar as pessoas e obter riqueza.

“Pastor Márcio Poncio preso. Mais um pastor preso. Mais um pastor riquíssimo envolvido em esquema de corrupção. Não é sobre a fé do povo. Não é sobre muitas lideranças pastorais humildes e trabalhadoras, com fé genuína, servindo às pessoas. Dito isso, é impressionante o que acontece em nosso país”, inicia Henrique Vieira.

“A prisão do Márcio Poncio hoje tem a ver com uma investigação da Polícia Federal sobre a máfia do cigarro, o jogo do bicho e o pagamento de propina para agentes públicos. Nós queremos acompanhar e entender exatamente qual é a participação desse pastor nesse esquema”, continua o deputado.

Em seguida, Vieira cita outros líderes religiosos que, segundo ele, ostentam riqueza:

“Eu quero ir além disso, porque os escândalos envolvendo lideranças pastorais riquíssimas só se acumulam: o histórico de Edir Macedo, a riqueza de Silas Malafaia, a questão do Clava Forte Bank, de André Valadão, e agora Márcio Poncio. Com tantos outros casos, fica cada vez mais evidente que há pessoas usando e abusando da igreja, do púlpito e da fé do nosso povo.”

“Não é sobre a fé. Não é sobre o trabalho das igrejas […] Existem lideranças pastorais construindo impérios econômicos e empresariais, com mansões, jatinhos, helicópteros, luxo e ostentação. Depois, falam em Deus, pátria e família. Depois, reivindicam uma moral cristã. Depois, partidarizam o púlpito, sequestrando a fé das pessoas e alimentando uma cultura de ódio. É dinheiro, é riqueza, é poder, é mansão, é jatinho […] É tudo muito estranho quando o Evangelho é simples: é amor ao próximo, é partilha do pão, é exercício da misericórdia, é senso de justiça, é servir às pessoas”, conclui Henrique Vieira.

https://x.com/pastorhenriquev/status/2072669714581528643

PF prende pastor Márcio Poncio e mira Bacellar e bicheiro em nova fase da Operação Unha e Carne

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (2) a 5ª fase da Operação Unha e Carne, prendendo o pastor Márcio Poncio em um flat na Barra da Tijuca e cumprindo novos mandados de prisão preventiva contra o bicheiro Adilsinho e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, ambos já encarcerados por fases anteriores da mesma investigação.

A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, amplia o escopo das investigações sobre lavagem de dinheiro e a infiltração do crime organizado nos poderes Executivo e Legislativo do estado, a partir de listas apreendidas com Adilsinho que indicam registros de supostos pagamentos indevidos e doações eleitorais a agentes políticos fluminenses.

Novas prisões e alvos na Operação Unha e Carne

A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira, três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Márcio Poncio foi detido em um flat na Praia da Barra da Tijuca. Adilsinho e Rodrigo Bacellar, que já se encontravam encarcerados por fases anteriores da operação, foram alcançados por novos mandados. Bacellar será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu para um presídio federal, medida que reforça o isolamento do investigado e dificulta eventuais interferências externas. Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, foi alvo de mandado de busca e apreensão.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou toda a operação e determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o montante de cerca de R$ 22 milhões. A pluralidade de alvos, que reúne um líder religioso de projeção nacional, um contraventor apontado como chefe da nova cúpula do jogo do bicho e um ex-presidente da Assembleia Legislativa, ilustra a extensão da rede investigada, que atravessa diferentes esferas da sociedade e do poder público fluminense.

O elo entre lavagem de dinheiro e agentes públicos

A 5ª fase da Operação Unha e Carne não surgiu do nada. Ela deriva diretamente da Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021 para investigar o monopólio de cigarros no Grande Rio, quando a PF encontrou planilhas em poder de Adilsinho com registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais. Na época, Adilsinho era alvo, mas não foi localizado. Só seria preso quase cinco anos depois, em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, após monitoramento por drones. As listas apreendidas com ele voltaram ao centro das investigações por apontarem, segundo a PF, possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do estado do Rio de Janeiro.

É nesse fio que a nova fase puxa. Segundo nota da própria Polícia Federal, a etapa “busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”. O pastor Márcio Poncio é investigado por possíveis ligações com a chamada “Máfia do Cigarro”, esquema liderado por Adilsinho, de acordo com apuração do G1. Já Bacellar carrega um histórico que se acumula dentro da mesma investigação: ele já havia sido alvo por suspeita de vazar informações sobre a Operação Zargum e de ter auxiliado o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, apontado como articulador político do Comando Vermelho. O desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2, foi preso em fase anterior por suspeita de ter sido o elo entre o sistema judiciário e Bacellar nesse repasse de informações sigilosas.

Contexto da Operação Unha e Carne e a ADPF das Favelas

A Operação Unha e Carne não é uma iniciativa isolada. Ela está diretamente ancorada na decisão do STF no julgamento da ADPF 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos. É essa determinação que confere à operação tanto o respaldo institucional quanto a urgência política: o STF reconheceu, no âmbito daquele julgamento, que a segurança pública no Rio de Janeiro não pode ser dissociada da cumplicidade de setores do próprio Estado com o crime organizado.

As quatro fases anteriores da operação, deflagradas entre dezembro de 2025 e maio de 2026, tinham foco inicial no vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho. Segundo a PF, esses dados comprometeram operações e beneficiaram investigados ligados à facção. A primeira etapa, em dezembro de 2025, mirou diretamente Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, por suspeita de ter vazado informações da Operação Zargun, que tinha o CV como alvo. Na segunda fase, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto foi preso preventivamente, suspeito de ter repassado as informações a Bacellar, que as teria transmitido a TH Joias. A 5ª fase amplia esse arco investigativo para o campo da lavagem de dinheiro e dos vínculos financeiros entre o crime organizado e a política, tornando ainda mais difícil sustentar a narrativa de que se trata de casos isolados ou de desvios individuais.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/malafaia-poncio-edir-macedo-henrique-vieira/