Não deixem Flávio Dino mal no inquérito dos vampiros da pandemia. Por Moisés Mendes

O ministro Flávio Dino – Reprodução

O ministro Flávio Dino já tem o que mostrar como relator da roubalheira das máfias das emendas. Nessa sexta-feira, a Polícia Federal chegou aos quadrilheiros que deram sumiço a pelo menos R$ 90 milhões em Roraima. Eles se juntam a suspeitos já alcançados pela PF em outros Estados.

Os rolos de Roraima são de verbas liberadas pelo deputado federal Nicoletti (PL-RR), senador Dr. Hiran (PP-RR), ex-senador Telmário Mota e pelo ministro do TCU Jhonatan de Jesus na época em que era deputado. Todos até agora de fora das investigações. Os investigados são os que receberam e torraram o dinheiro nos municípios.

Se o inquérito das emendas fosse encerrado hoje, haveria o que comemorar, mesmo que a devassa esteja apenas começando e tenha enquadrado uma maioria de bagrinhos municipais. Mas Dino não tem o que mostrar e dizer sobre outro inquérito aberto pela PF.

É o que investiga os vampiros da pandemia, impunes até hoje e esquecidos pela grande imprensa. O inquérito completará um ano no dia 18 de setembro. Foi aberto por ordem do ministro, a partir de solicitação da PF, num contexto desconfortável para as instituições.

Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa – Reprodução

Todos os 79 indiciados pela CPI da Pandemia e citados no relatório encaminhado pelo Congresso ao Ministério Público, em outubro de 2021, estão livres, soltos e, em muitos casos, em campanha eleitoral. Bolsonaro e Braga Netto são as exceções, mas estão presos pelo golpe.

Estão no relatório da CPI Bolsonaro, os filhos dele, os generais e os coronéis articulados com as quadrilhas que propagavam e distribuíam a cloroquina como milagre, negociavam a compra de vacina superfaturada, induziam a população à desobediência contra as medidas sanitárias e cometiam fraudes e outros crimes contra a saúde pública.

Tudo o que eles fizeram está no relatório, que dorme até hoje em gavetas do Ministério Público. A decisão de entregar os casos à Polícia Federal contém duas informações relevantes e desafiadoras.

A primeira informação, e a mais óbvia, indica que a PF pode finalmente fazer o que o MP não fez. E a segunda, com grande poder destrutivo, é a que alerta para o seguinte: não há como falhar de novo diante da inépcia do MP.

O inquérito pode ser destruidor porque não é possível imaginar que uma medida adotada por Dino para corrigir a inércia do MP tenha o mesmo resultado. Será devastador para o Congresso, que investigou as máfias, para o Ministério Público, que desrespeitou o relatório, e agora para a Polícia Federal, se o inquérito que aniversaria em setembro também fracassar.

As investigações determinadas por Flávio Dino têm os nomes de um terço dos citados no relatório da CPI. São 24 figuras, algumas do primeiro time de suspeitas e acusações contra quem teria cometido crimes graves, enquanto 700 mil pessoas morriam. Mas outros investigados são personagens quase desconhecidos.

Estão sob investigação desde setembro Bolsonaro, os filhos Flávio, Carluxo e Eduardo, Ricardo Barros, Osmar Terra, Bia Kicis, Carla Zambelli, Carlos Jordy, Onyx Lorenzoni, Allan dos Santos, Helcio Bruno de Almeida, Oswaldo Eustaquio, Helio Angotti Neto, Bernardo Pires Kuster, Paulo de Oliveira Eneas, Richards Dyer Pozzer, Leandro Panazzolo Ruschel, Carlos Roberto Wizard Martins, Luciano Hang, Otavio Oscar Fakhoury, Felipe Garcia Martins Pereira, Tercio Arnaud Tomaz e Ernesto Araújo.

Todos sabem quem são os deputados e os empresários famosos da lista, com os indispensáveis Carlos Roberto Wizard Martins, Otavio Oscar Fakhoury e o autoproclamado véio da Havan. Mas quem conhece os blogueiros Leandro Panazzolo Ruschel e Bernardo Pires Kuster fora da bolha bolsonarista?

Com a impunidade de celebridades e figurantes da extrema direita, chegamos a uma situação de alto risco. O Ministério Público foi preguiçoso ao desprezar e desperdiçar o trabalho da CPI e ofereceu aos denunciados a chance de rearticularem suas defesas, quase cinco anos depois da conclusão do relatório.

A Polícia Federal é desafiada a não postergar conclusões e a corrigir a incompetência do MP, sem desculpas para mais uma falha, que no fim cairia também no colo de Flávio Dino.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nao-deixem-flavio-dino-mal-no-inquerito-dos-vampiros-da-pandemia-por-moises-mendes/