Autoridades dos Estados Unidos tentaram alertar o Irã sobre o receio de que Israel pudesse assassinar mediadores envolvidos em negociações recentes entre Washington e Teerã, disseram dois funcionários americanos. Os avisos teriam sido enviados por intermediários em meio a conversas consideradas frágeis.
Os funcionários afirmaram que a preocupação envolvia Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e líder das negociações com os EUA, e Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã e uma das principais figuras públicas das conversas. Até sexta-feira (26), não havia indicação imediata de que a inteligência americana conhecesse um plano específico que motivasse o alerta.
O jornal “The New York Times” revelou os avisos. Em resposta, o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, publicou na rede X: “Como de costume, a última matéria do The New York Times sobre Israel e os negociadores iranianos é fake news. Uma completa fabricação da realidade.”
Um alto funcionário da defesa israelense já havia defendido publicamente a eliminação de líderes iranianos de alto escalão. Em março, o presidente Donald Trump evitou dizer a jornalistas com quem os EUA negociavam no Irã e justificou: “não quero que eles sejam mortos”. Ele acrescentou: “Sabe, é um pouco difícil. Eles já eliminaram todo mundo.”
The Prime Minister’s Office:
As usual, The New York Times’ latest story about Israel and the Iranian negotiators is fake news.
A complete fabrication of reality.
— Prime Minister of Israel (@IsraeliPM) July 3, 2026
Trump e Netanyahu divergiram sobre guerra e diplomacia
Trump e Netanyahu tiveram atritos em diferentes momentos sobre a guerra com o Irã. O premiê israelense se mostrou frustrado com as negociações em curso, enquanto Trump avaliava que Netanyahu estava excessivamente disposto a inviabilizar uma paz ainda incipiente.
Em uma conversa tensa em junho, Trump usou palavrões para manifestar desaprovação a uma operação militar planejada por Israel no Líbano, disseram duas pessoas familiarizadas com o diálogo. A troca expôs a tensão entre a prioridade diplomática americana e a estratégia militar israelense na região.
Funcionários do governo Trump também acompanharam de perto a rede de espionagem de Israel, que intensificou atividades de inteligência e vigilância sobre autoridades iranianas e americanas nos últimos meses, afirmou um funcionário dos EUA.
Nos primeiros dias da guerra, Israel matou dezenas de lideranças políticas e religiosas no Irã, incluindo o líder supremo iraniano e Ali Larijani, principal responsável pela segurança nacional do país. Quando ficou claro que a campanha não conseguia provocar mudança de regime em Teerã, o governo Trump recuou do apoio a essa estratégia e passou a priorizar negociações.
Alvejar Ghalibaf ou Araghchi poderia comprometer tratativas já incertas. EUA e Irã assinaram um memorando de entendimento para um cessar-fogo de 60 dias, mas deixaram temas sensíveis, como o destino do estoque nuclear iraniano, para conversas futuras; mesmo com o acordo em vigor, o Irã disparou contra navios no Estreito de Ormuz, e os EUA responderam com ataques a alvos iranianos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/eua-avisaram-ira-que-israel-poderia-matar-negociadores-dizem-autoridades/

