Multidão lota último Arrastão do Pavulagem em Belém

Uma multidão tomou conta das ruas do centro histórico de Belém neste domingo, 5, para acompanhar o último Arrastão do Pavulagem da quadra junina. Em um mar de chapéus de palha, fitas coloridas, música e dança, mais de 1,5 mil brincantes celebraram o encerramento da quadra junina e o tema deste ano, “Bandeira de Guarnição”, que destacou a preservação dos saberes e fazeres tradicionais da Amazônia e a transmissão desse patrimônio cultural entre gerações. O cortejo encerrou na Praça Waldemar Henrique com show da banda Arraial do Pavulagem e participações especiais do guitarrista Felipe Cordeiro e do grupo Sancari de Carimbó.

Um dos momentos mais simbólicos da programação foi a derrubada dos Mastros de São João, ritual que marca o encerramento da quadra junina do Arraial do Pavulagem. “Concluir a quadra junina com esses encontros reforça aquilo que move o Arraial do Pavulagem há quase quatro décadas: a cultura como espaço de troca, identidade e pertencimento. Cada pessoa que vem no Arrastão traz uma história, uma vivência e uma forma de manter viva essa grande corrente da nossa cultura”, afirmou Júnior Soares, músico e cofundador do Arraial do Pavulagem.

Também cofundador do Arraial, Ronaldo Silva destacou a emoção de encerrar mais um ciclo com a tradicional derrubada do mastro e agradeceu o trabalho coletivo que torna possível a realização do cortejo. “É um momento especial para nós fechar um ciclo, acreditar que valeu a pena de verdade e os esforços da galera que está nos bastidores, construindo tudo. Minha certeza é que todo mundo está feliz com o trabalho concluído, graças a Deus, aos nossos patrocinadores e à Lei de Incentivo, ao Governo do Estado e Prefeitura, que são fundamentais nesse processo que é gigantesco. O Arraial é do tamanho do nosso carinho pela cultura brasileira praticada aqui”.

Próximo encontro: Arrastão do Círio em outubro

Ele adiantou ainda que os preparativos para o próximo grande encontro já começam nas próximas semanas: o Arrastão do Círio, realizado em outubro, durante o período do Círio de Nazaré. “A gente não para, trabalha o ano inteiro. O próximo encontro com o Arraial da Pavulagem é o Arrastão do Círio com a Rainha das Flores que é a canoa, o ícone, um símbolo que representa a devoção mariana através do olhar da cultura popular”, disse Ronaldo Silva.

Participação de diferentes gerações e grupos tradicionais

Além da celebração cultural, o Arrastão evidenciou a participação de diferentes gerações. A recém-criada Ala dos Bailantes foi um dos destaques da edição. O estudante Edson Souza participou pela primeira vez do cortejo ao lado da mãe, a coreógrafa Kátia Pinto. “É meu primeiro ano, a minha mãe foi quem fez a coreografia e eu a ajudei. O Pavulagem em si é uma coisa muito grande na nossa cultura, então estar aqui com a minha mãe, é muito legal. Este ano, ela está à frente desse novo segmento, então eu vim ajudar e acabei me apaixonando. O que encanta no Arraial é a junção de todo mundo, sem distinção. Todo mundo vem para se divertir. Tudo tem uma energia muito boa e somos muito bem acolhidos”, analisa o brincante Edson Souza.

A programação também contou com a participação de grupos tradicionais convidados, como o Boi Malhadinho e o Boi de Banda, que integraram a Roda Cantada realizada em frente ao Theatro da Paz. Fundadora do Boi de Banda, a mestra Maria Antônia ressaltou a importância de levar ao público a cultura popular produzida no interior do estado.

Segundo ela, o trabalho desenvolvido pelo grupo envolve crianças, jovens e adultos, incluindo pessoas atípicas, fortalecendo a inclusão e a valorização das tradições amazônicas. “Somos de Igarapé-Miri e o nosso Boi de Banda é inspirado no Arraial do Pavulagem. Trazer toda essa multidão para a rua é o que nos inspira. São crianças, jovens, pessoas de todas as idades em busca de viver esse momento da cultura popular. Desde criança eu sou apaixonada pela cultura popular, para mim é muito gratificante trabalhar esse projeto dentro da cultura popular”, afirmou a Mestra Maria Antônia.

Representando o Boi Malhadinho, Juliana Soares destacou a relevância da união entre os grupos culturais para fortalecer as manifestações populares. Ela lembrou que o Boi, fundado na década de 1940 e posteriormente resgatado por Nazareno Silva, mantém atividades culturais permanentes no bairro do Guamá e atua na formação de novas gerações para garantir a continuidade da tradição. “É muito importante pra gente continuar a tradição da cultura popular com esse trabalho para que futuramente a cultura não morra. É um trabalho de décadas. Este trabalho é uma forma de garantir que no futuro as pessoas também tenham contato com a cultura, não se deixando morrer essa tradição do Boi”, avalia Juliana Soares.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/multidao-toma-o-centro-historico-de-belem-no-ultimo-arrastao-do-pavulagem-da-quadra-junina/