O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou publicamente a decisão da FIFA de retirar a suspensão do atacante Folarin Balogun, liberando o jogador para disputar a partida contra a Bélgica pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
A celebração, porém, expôs uma contradição da própria agenda política do republicano. Em publicação na rede Truth Social, Trump agradeceu à entidade máxima do futebol pela decisão.
“Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”, escreveu o presidente.
A decisão da FIFA surpreendeu porque a entidade recorreu a um dispositivo raramente utilizado para anular o cartão vermelho recebido por Balogun na partida anterior. Sem essa reversão, o atacante estaria automaticamente suspenso e não poderia entrar em campo no confronto decisivo.
A comemoração de Trump chamou atenção porque Balogun é cidadão americano justamente graças ao princípio da cidadania por nascimento, um direito que o presidente tenta restringir desde seu primeiro mandato.
A mãe do jogador, cidadã britânica, viajou para Nova York grávida em 2001. Quando tentou retornar ao Reino Unido, foi impedida pela companhia aérea por estar muito próxima do parto. Ela acabou dando à luz em Nova York e permaneceu cerca de dois meses nos Estados Unidos antes de voltar ao Reino Unido.
Por ter nascido em território americano, Balogun adquiriu automaticamente a cidadania dos EUA, além das nacionalidades britânica e nigeriana. Posteriormente, após ser disputado pelas três federações, escolheu defender a seleção norte-americana.
Sem essa regra constitucional, Balogun sequer poderia integrar a equipe dos Estados Unidos.
Trump é um dos principais críticos da cidadania automática garantida pela 14ª Emenda da Constituição dos EUA. Na última semana, após uma decisão da Suprema Corte manter a proteção constitucional ao direito, o presidente voltou a defender mudanças na legislação para restringir esse tipo de cidadania.

Em publicação na Truth Social, afirmou que o Congresso deveria agir imediatamente para acabar com aquilo que chamou de uma política “cara e injusta” para os Estados Unidos.
O elogio público também reacendeu discussões sobre a relação entre Trump e o presidente da Fifa, Gianni Infantino. Infantino estreitou laços com o presidente americano nos últimos anos e, em 2025, chegou a criar o Prêmio da Paz da Fifa, entregue ao próprio Trump, iniciativa que gerou críticas e questionamentos sobre a proximidade entre ambos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-elogia-fifa-por-beneficiar-jogador-americano-cuja-cidadania-ele-quer-cassar/

