As audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) começam nesta segunda-feira (6), em Washington, e podem definir os rumos de uma nova escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e Brasil. O governo de Donald Trump pretende usar o resultado da investigação sobre supostas práticas comerciais brasileiras para justificar a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais.
As sessões reúnem, de um lado, representantes da indústria e do agronegócio brasileiros tentando convencer as autoridades americanas a desistirem das tarifas. De outro, grupos de lobby dos Estados Unidos defendem medidas protecionistas para restringir a entrada de produtos brasileiros.
Além de associações empresariais e empresas diretamente afetadas, o senador Flávio Bolsonaro decidiu participar das audiências.
Ambos afirmam que são contrários às tarifas, mas sustentam que a crise comercial decorre da política do governo Lula e que uma eventual suspensão das sanções evitaria fortalecer politicamente o presidente.
Na prática, a presença de Flávio transforma uma disputa comercial em palco para o entreguismo. Em vez de concentrar esforços na defesa dos interesses econômicos do país, o senador leva para Washington uma narrativa alinhada ao bolsonarismo e ao governo Trump, atribuindo ao cenário político interno a responsabilidade pelo impasse comercial.
A audiência também evidencia a mobilização de grandes exportadores brasileiros, que tentam preservar o acesso ao mercado americano. Participam entidades como CNI, Fiesp, CNA, Abimaq, Cecafé e Abicalçados, além de empresas como Weg, Bauducco, Nestlé, Coca-Cola e Suzano. Embora defendam seus interesses econômicos legítimos, as empresas chegam às audiências depois de meses de tensão comercial e diante de uma estratégia americana que prioriza a proteção da indústria doméstica.

Enquanto isso, o governo brasileiro aposta na via diplomática para evitar o novo tarifaço. Entre as propostas em negociação está a redução de tarifas de importação para produtos americanos sem produção equivalente no Brasil, numa tentativa de construir uma solução negociada antes da adoção das novas barreiras.
Do lado americano, organizações como o R-CALF USA, que representa pecuaristas, e a Associação dos Fabricantes de Aço defendem a imposição das tarifas, alegando concorrência desleal por parte dos produtos brasileiros.
Apesar das ameaças de novas restrições, os exportadores brasileiros vêm reduzindo a dependência do mercado americano ao ampliar vendas para outros países. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o valor exportado aos Estados Unidos cresceu 3,7% em junho, embora o volume embarcado tenha caído 6,6%, indicando aumento dos preços médios dos produtos.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sem-paulo-figueiredo-flavio-bolsonaro-vai-a-audiencia-nos-eua-fortalecer-o-tarifaco-contra-o-brasil/

