A jornalista Ana Paula Renault publicou um vídeo nas redes sociais nesta segunda-feira (6) em que criticou declarações atribuídas ao blogueiro de extrema direita Paulo Figueiredo sobre o voto feminino. Na gravação, ela afirmou que discursos que colocam em dúvida a capacidade das mulheres de exercer o direito ao voto representam um alerta, especialmente em ano eleitoral, e defendeu a autonomia das eleitoras na escolha de seus candidatos.
Logo no início do vídeo, Ana Paula associou o debate ao papel das mulheres na democracia e ao peso do eleitorado feminino nas eleições.
“Quando alguém diz que mulher vota mal, o problema não é o nosso voto, é o medo do nosso poder.”
Na sequência, a jornalista mencionou declarações feitas por um brasileiro que vive nos Estados Unidos e é investigado pela Justiça brasileira, afirmando que esse tipo de discurso busca reduzir a autonomia política das mulheres.
“Nos últimos dias, um brasileiro investigado que hoje vive lá nos Estados Unidos afirmou que mulheres votam mal. Ele disse, inclusive, que mulheres casadas precisam acompanhar o voto do marido. Ou seja, na cabeça de muita gente, a mulher só vota bem quando ela vota pela cabeça de um homem.”
Ana Paula afirmou que esse tipo de posicionamento não deve ser encarado apenas como uma polêmica nas redes sociais, mas como um indicativo de uma visão mais ampla sobre a participação feminina na política.
“E isso, gente, não é frase solta, não, tá? Não é só provocação de internet, não é exagero nosso. É um sinal.”
Um sinal
Durante a publicação, ela também citou um episódio ocorrido nos Estados Unidos para exemplificar o que considera uma crescente circulação de discursos contrários aos direitos das mulheres.
“Lá nos Estados Unidos, o atual chefe do Pentágono repostou um vídeo que defendia revogar a Décima Nona Emenda, justamente a emenda que garantiu o voto feminino naquele país. Então, quando esse tipo de ideia começa a circular com naturalidade, a gente precisa prestar atenção.”
A jornalista argumentou que declarações desse tipo fazem parte de um processo gradual de restrição da participação feminina na sociedade e na política.
“Porque primeiro dizem que mulher vota mal, depois dizem que mulher precisa ser orientada, depois dizem que a mulher deveria voltar para o lugar dela. Só que esse lugar não existe mais.”
Ao relembrar a conquista do direito ao voto pelas mulheres no Brasil, Ana Paula destacou a importância histórica da mobilização feminina e o peso do eleitorado nas disputas eleitorais atuais.
“No Brasil, nós conquistamos o direito ao voto lá em 1932, e não foi favor, foi muita luta. E hoje nós somos mais de 82 milhões de, quase 53% do eleitorado brasileiro. Gente, nós somos maioria. E talvez seja exatamente por isso que assuste tanto.”
Na avaliação da jornalista, a liberdade de escolha das mulheres é o principal alvo de discursos que tentam deslegitimar o voto feminino.
“Porque mulher que pensa, escolhe; mulher que pesquisa, decide; mulher que entende o próprio poder, muda o rumo de uma eleição. E o problema nunca foi mulher votar mal; o medo é mulher votar livre.”
Fortalecimento da participação feminina
Ao encerrar a gravação, Ana Paula defendeu que o período eleitoral seja marcado pela busca por informação e pelo fortalecimento da participação feminina no debate público.
“Por isso, em ano eleitoral, a nossa resposta não pode ser só de indignação. A nossa resposta precisa ser consciência. Pesquise, leia, compare propostas, escute mulheres, leia mulheres, apoie mulheres, conheça mulheres que ocupam a política, e olhe com muita atenção para quem quer ampliar os nossos direitos e para quem começa tentando diminuir a nossa voz.”
https://x.com/anapaularenault/status/2074282699167023173
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/ana-paula-renault-paulo-figueiredo-voto-feminino/

