A classificação da Argentina para as quartas de final da Copa do Mundo ficará registrada como uma virada heroica comandada por Lionel Messi. Mas esse roteiro épico esconde um detalhe incômodo: o Egito foi vítima de uma intervenção do VAR que simplesmente não deveria ter acontecido.
Os argentinos venceram por 3 a 2, depois de saírem perdendo por 2 a 0. O segundo gol egípcio, marcado por Mostafa Zico aos 12 minutos do segundo tempo, foi anulado após uma longa revisão em vídeo que extrapolou completamente o propósito da tecnologia.
O lance começou com uma recuperação de bola ainda no campo defensivo do Egito. Haissem Hassan arrancou desde a intermediária, deixou dois marcadores para trás — aplicando inclusive uma caneta em Nicolás Tagliafico — e acionou Mohamed Salah. O camisa 10 encontrou Mostafa Zico infiltrando pela esquerda, e o atacante bateu na saída de Emiliano Martínez para fazer 2 a 0.
Seria um golpe praticamente fatal na Argentina.
Mas o árbitro François Letexier foi chamado pelo VAR para revisar uma suposta falta de Marwan Attia sobre Lisandro Martínez na origem da jogada, ainda muito antes de Hassan iniciar a arrancada.
Depois de assistir às imagens, Letexier anulou o gol. O protocolo do VAR foi criado para corrigir erros claros e evidentes relacionados diretamente ao lance do gol. O que aconteceu em Atlanta foi diferente. A revisão voltou diversos segundos no tempo, ignorando que a jogada seguiu normalmente, houve recuperação de posse, condução de bola, dribles, passes e uma nova construção ofensiva antes da conclusão de Zico.
Se esse tipo de revisão passa a ser aceito como normal, praticamente qualquer gol poderá ser invalidado.
Sempre haverá uma disputa física, um contato, uma dividida ou uma falta interpretativa em algum momento da origem de uma jogada. O futebol simplesmente não funciona em ações isoladas de laboratório.
O Egito construiu o lance inteiro depois da suposta infração. Hassan percorreu boa parte do campo, desmontou a marcação argentina e Salah ainda teve tempo de escolher o melhor passe antes da finalização.
⏯️ Veja o gol anulado do Egito contra Argentina pic.twitter.com/ySWreVbDxC
— Metrópoles (@Metropoles) July 7, 2026
Não houve vantagem imediata obtida a partir do suposto contato. Houve uma nova jogada. É justamente esse o limite que o VAR parece ter ignorado.
O curioso é que a própria arbitragem costuma adotar critérios muito mais restritivos quando revisa outros tipos de lance. Em diversas competições, gols são mantidos justamente porque a infração ocorreu muito antes da conclusão ou porque a posse já havia sido estabilizada pela equipe atacante.
Contra o Egito, esse entendimento desapareceu. O impacto da decisão foi gigantesco.
Em vez de abrir 2 a 0 diante da Argentina, o placar permaneceu em 1 a 0. Poucos minutos depois, os egípcios voltariam a marcar, desta vez com um contra-ataque iniciado por Salah e concluído novamente por Mostafa Zico, ampliando para 2 a 0.
Mesmo assim, o dano psicológico provocado pela anulação já havia mudado completamente o ambiente da partida. A Argentina ganhou confiança. Messi passou a comandar uma pressão constante sobre a defesa africana.
Cristian Romero diminuiu aos 33 minutos, Messi empatou aos 38 e Enzo Fernández completou a virada nos acréscimos.
Naturalmente, Lionel Messi teve enorme mérito na reação argentina. Fez um grande jogo, marcou um golaço, participou da construção ofensiva e liderou sua equipe quando tudo parecia perdido.
Mas isso não elimina o debate sobre a arbitragem. A classificação argentina jamais poderá ser analisada sem lembrar do gol retirado do Egito por uma interpretação extremamente ampla do VAR.
EGYPT’S GOAL IS DISALLOWED! THE VAR REVIEW SPOTS A FOUL AND THE DECISION IS OVERTURNED!!! ❌ pic.twitter.com/MJplsjtzRB
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-egito-foi-roubado-contra-a-argentina-o-var-ultrapassou-seus-limites-e-decidiu-a-classificacao/

