Nikolas nega relação com vídeo de Michelle Bolsonaro e desafia: “Se provarem, renuncio ao mandato”

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) negou, em postagem nas redes sociais nesta terça-feira (7), qualquer participação na produção do vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro critica o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusando-o de maus-tratos e de decisões políticas equivocadas. A negativa veio após a jornalista Andreia Sadi, da GloboNews, informar que pessoas ligadas à equipe de Nikolas teriam ajudado a roteirizar e produzir o conteúdo. Em resposta, o deputado lançou um desafio público de renúncia ao mandato e acusou aliados de Flávio de abastecerem a imprensa para desgastá-lo, enquanto a disputa interna no campo bolsonarista se aprofunda com consequências concretas para figuras centrais do PL.

Nikolas Ferreira nega envolvimento e desafia

Em publicação nas redes sociais, Nikolas Ferreira foi direto: “Não tive qualquer participação nisso. E digo mais: se conseguirem provar que eu participei, coordenei ou me envolvi na produção desse vídeo, eu renuncio ao meu mandato.” O deputado classificou a acusação de que pessoas de sua equipe teriam auxiliado Michelle Bolsonaro como uma “narrativa” deliberadamente espalhada pela equipe de Flávio Bolsonaro para desgastá-lo politicamente. Sem citar nomes, afirmou que “indivíduos mal intencionados estão brifando a imprensa da qual sempre se disseram inimigos para criar narrativas contra mim”, encerrando com a palavra “Patéticos.”

O parlamentar também aproveitou a postagem para desmentir rumores de que estaria articulando uma bancada própria com o objetivo de deixar o PL. “Acreditem, se essa fosse a intenção, eu já estaria em outro partido”, escreveu. Segundo ele, o trabalho em curso é eleger deputados “legitimamente de direita, honestos e que compartilham do meu sonho de mudar o Brasil”, o que, na sua leitura, não representa ruptura com o partido. O desafio de renúncia funciona como recurso retórico de alto impacto, mas a origem real da produção do vídeo permanece sem confirmação oficial, e a acusação que motivou a resposta de Nikolas partiu de apuração jornalística, não de declaração formal da equipe de Flávio.

A acusação e o contexto do vídeo de Michelle

A acusação que provocou a reação de Nikolas foi noticiada pela jornalista Andreia Sadi, da GloboNews. Segundo Sadi, “gente que trabalha com o Nikolas, ou que trabalhou com Nikolas e conhece como ele faz os vídeos dele, ajudou Michelle a fazer aquele vídeo, que de amador não tem nada. Totalmente roteirizado, totalmente contextualizado.” A jornalista acrescentou que quem acompanha o caso de perto não enxerga o movimento de Michelle como um gesto kamikaze, sugerindo planejamento por trás da publicação.

O vídeo em questão tem 27 minutos e foi publicado há cerca de duas semanas. Nele, Michelle Bolsonaro afirma ter sido maltratada por Flávio, critica o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará e defende o nome de Eduardo Girão (Novo) para o estado. A gravação tornou pública uma disputa que até então corria nos bastidores do bolsonarismo: a divergência sobre alianças eleitorais no Nordeste foi o estopim, mas o vídeo expôs um conflito de poder mais amplo dentro do partido. As consequências foram imediatas. Michelle deixou a presidência do PL Mulher e recuou do debate público sobre a disputa pelo Palácio do Planalto, sinalizando que a pressão interna foi suficiente para contê-la, ao menos por ora.

Tensões internas e o cenário político do PL

A manifestação de Nikolas ocorre em meio a uma crise que não dá sinais de arrefecimento. Os bastidores do campo bolsonarista têm sido marcados por trocas de acusações e disputas sobre quem está por trás da gravação, sem que nenhuma das partes apresente provas públicas conclusivas. A tentativa de projetar unidade existe, mas convive com a disputa aberta. Na sexta-feira (3), Nikolas e Flávio dividiram o palco no 3º Seminário Nacional de Comunicação do PL, no Rio de Janeiro. Flávio apresentou Nikolas ao público como “irmão” e jovem liderança do partido. Nikolas, por sua vez, pediu “foco” à direita: “Temos uma missão muito séria. O Flávio tem sido um exemplo nesse sentido, de deixar de lado qualquer coisa que tire o foco do que é essencial esse ano: tirar o PT.”

O gesto de aproximação no palco, no entanto, não apagou a crise que eclodiu dias depois. A saída de Michelle da presidência do PL Mulher e seu recuo do debate sobre 2026 já representam perdas concretas de posicionamento político. Uma possível candidatura ao Senado por Brasília também pode ter sido comprometida pela repercussão do vídeo. Para Flávio, que tenta consolidar uma pré-candidatura presidencial, a crise familiar e partidária é um ruído que ele precisa administrar sem que o conflito se torne o centro da narrativa. Para Nikolas, a disputa sobre a autoria do vídeo é um teste de credibilidade perante sua base, e o desafio de renúncia serve exatamente a esse propósito: encerrar o assunto com um gesto de força antes que ele se consolide como um problema. O que a sequência de eventos revela, no entanto, é que as tensões de poder dentro do PL não se resolvem em eventos com abraços no palco. Elas seguem vivas, e tendem a se intensificar conforme 2026 se aproxima.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/nikolas-nega-relacao-video-michelle-bolsonaro-renuncio-mandato/