Nos EUA, Flávio Bolsonaro evita condenar tarifaço e insinua submissão a Trump caso seja eleito

O ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro, o pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou uma audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, nesta terça-feira (07), para pedir o cancelamento de tarifas sobre produtos brasileiros, defender o Pix e levar críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao governo Lula a representantes americanos. Porem, sem condenar as medidas e insinuando submissão ao governo dos EUA caso eleito.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro acompanhou o irmão durante toda a sessão, que não teve transmissão ao vivo e reuniu um público restrito formado por empresários, advogados, representantes do setor produtivo e integrantes do governo dos Estados Unidos. Antes do início, organizadores interromperam fotografias feitas pela equipe e avisaram que aquele tipo de registro não era permitido naquele momento.

Auxiliares de Flávio fizeram ajustes de última hora no roteiro para evitar novo desgaste após o documento de 86 páginas entregue ao USTR na semana anterior. A orientação era deixar claro que o senador defenderia o cancelamento das tarifas, não apenas o adiamento, além de sustentar a preservação do Pix e uma negociação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

Aliados avaliavam que a exposição de cinco minutos poderia mudar a percepção sobre a viagem. O parecer anterior defendia a suspensão das tarifas enquanto os dois países negociassem pontos da investigação comercial, mas adversários passaram a tratar a proposta como tentativa de empurrar a medida para depois das eleições de 2026; interlocutores da campanha diziam que o documento havia sido “mal interpretado”.

Críticas ao STF e menções a corrupção entraram na fala

Supremo Tribunal Federal
Foto: Wallace Martins/STF

Flávio abriu o oitavo painel da audiência ao lado do ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio Roberto Azevêdo, representante da Confederação Nacional da Indústria; Letícia Sperb Masselli, da Abicalçados; Matt Priest, da Footwear Distributors and Retailers of America; e Peter Gerberich, da Gerberich LLC. Cada participante teve cinco minutos para resumir a manifestação escrita enviada ao USTR antes das perguntas da comissão.

Relatos de pessoas que acompanharam a audiência apontam que o senador afirmou que decisões do STF têm produzido impactos sobre a política e a economia brasileiras. Ele também voltou a dizer que o ex-presidente Jair Bolsonaro é vítima de uma “caça às bruxas” conduzida pelo Judiciário e sustentou que medidas sobre moderação de conteúdo em plataformas digitais decorreram de decisões judiciais e atos do Executivo, não de leis aprovadas pelo Congresso.

A fala incluiu uma parte maior sobre corrupção do que a campanha vinha antecipando. Flávio citou mensalão, Operação Lava-Jato, condenação e posterior anulação das condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fraudes no INSS, Banco Master e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; sem mencionar Daniel Vorcaro, argumentou que casos com responsáveis identificáveis não deveriam justificar uma medida comercial contra toda a economia brasileira.

Na discussão sobre as tarifas, Flávio afirmou que uma sobretaxa poderia fortalecer politicamente o governo Lula às vésperas da eleição presidencial e aproximar mais o Brasil da China. Ao responder perguntas do USTR sobre alternativas de pressão, disse que Washington tem “instrumentos direcionados” contra indivíduos específicos e afirmou ver grande possibilidade de mudança de governo no Brasil a partir do próximo ano, com um presidente “que não seja antiamericano”.

Extremista não condenou “Tarifaço”

Segundo relato da jornalista Daniela Lima, Flávio Bolsonaro, porém, não condenou o “tarifaço” na audiência nos EUA, reforçando teses pró-Trump e insinuando submissão caso eleito.

Ele ainda comprometeu comércio com Japão, Índia e Coreia, atacou STF e seguiu alinhado ao clã que, segundo o Planalto, atua contra o Brasil.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nos-eua-flavio-bolsonaro-evita-condenar-tarifaco-e-insinua-submissao-aos-eua-caso-seja-eleito/