Entenda o mistério do Boeing 737 que desapareceu no Paquistão

Aeronave do modelo Boeing 737. Foto: Divulgação

Os minutos finais do voo de um Boeing 737 cargueiro passaram a ser o principal foco da investigação sobre o desaparecimento da aeronave no Paquistão. Dados de monitoramento mostram uma sequência incomum de mudanças de altitude antes da perda de contato com o controle aéreo, levantando dúvidas sobre o que ocorreu após a tripulação relatar um problema no sistema de navegação.

O mistério ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (8), quando equipes de resgate localizaram os destroços do avião em alto-mar. Segundo a Autoridade Aeroportuária paquistanesa, os restos da aeronave foram encontrados a 98 quilômetros ao sul do porto de Ormara, cerca de 12 horas depois do desaparecimento.

Apesar da localização dos destroços, o paradeiro dos cinco tripulantes ainda é desconhecido. A Marinha e a Agência de Segurança Marítima do Paquistão informaram que seguem mobilizando “diversos recursos aéreos e marítimos” para tentar localizar os ocupantes da aeronave.

O Boeing 737, operado pela K2 Airways, realizava um voo de carga entre Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, e Karachi, no Paquistão. A bordo estavam dois pilotos, dois engenheiros e um integrante da equipe de apoio.

Segundo a Autoridade de Aeroportos do Paquistão, o cargueiro comunicou um problema no sistema de navegação às 21h18 no horário local, correspondente a 15h18 em Brasília. Poucos minutos depois, a comunicação com o controle de tráfego aéreo foi interrompida.

Os controladores chegaram a orientar a tripulação após o alerta, mas, cerca de três minutos depois, o radar registrou uma rápida perda de altitude. O avião estava aproximadamente 287 quilômetros a oeste de Karachi quando desapareceu dos sistemas de monitoramento.

Imagem mostra rota do voo KTA1732, que desapareceu no mar antes de chagar ao destino final, Karachi. Foto: Reprodução

As informações do Flightradar24 aumentaram as dúvidas sobre o acidente. Segundo a plataforma, a aeronave perdeu cerca de 1.500 metros de altitude em menos de um minuto, voltou a subir aproximadamente 1.800 metros em apenas 30 segundos e, logo depois, iniciou um mergulho acentuado.

O último sinal transmitido mostrava o Boeing a aproximadamente 335 metros de altitude e descendo a uma velocidade de 22.400 pés por minuto, equivalente a cerca de 400 km/h. O comportamento registrado chamou a atenção de especialistas por fugir do padrão observado em voos comerciais e de carga.

“Quando vemos um comportamento tão extremo, isso chama atenção, mas ainda é cedo para dizer o que aconteceu sem mais informações”, afirmou Anthony Brickhouse, consultor em segurança da aviação à Reuters.

O avião envolvido no acidente era um Boeing 737-400, versão mais antiga da família 737 e anterior em duas gerações ao 737 MAX. Segundo o Flightradar24, a aeronave foi entregue originalmente à companhia russa Aeroflot em 1999 para transporte de passageiros e passou por conversão para cargueiro em 2012.

O Boeing era o único avião da frota da K2 Airways e havia começado a operar pela empresa em 2024. A companhia informou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação das causas do acidente.

Caso as autoridades confirmem mortes entre os ocupantes, este será o primeiro acidente aéreo fatal registrado no Paquistão desde 2020. Naquele ano, um Airbus A320 da Pakistan International Airlines caiu durante uma tentativa de pouso em Karachi, provocando a morte de 97 pessoas.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/entenda-o-misterio-do-boeing-737-que-desapareceu-no-paquistao/