A Avenida Luís Viana Filho, conhecida como Avenida Paralela, passou a ser alvo de um estudo técnico da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) após registrar seis mortes em acidentes apenas no primeiro bimestre de 2026. Considerada uma das principais vias da capital baiana, a avenida possui velocidade máxima permitida de 80 km/h, a maior entre as vias urbanas da cidade.
Segundo a Transalvador, o levantamento busca compreender o comportamento dos condutores na Paralela e identificar fatores que contribuem para os acidentes. Apesar de a velocidade estar entre os aspectos analisados, o órgão informou que, neste momento, não há estudos para reduzir o limite permitido na via.
Ao jornal A Tarde, o superintendente da Transalvador, Diego Brito, afirmou que a iniciativa tem caráter técnico e visa reunir informações antes da adoção de qualquer medida.
“É um assunto polêmico. O estudo é para ver o comportamento dos condutores na via. Envolve velocidade, mas sem estudo de readequação. Sabemos e temos vários estudos que a velocidade é a maior causa de acidentes”, declarou.
De acordo com o gestor, a maior parte dos sinistros registrados na avenida envolve motociclistas. Somente nos dois primeiros meses deste ano, a Paralela contabilizou seis acidentes fatais, com maior concentração durante o período do Carnaval.
Dados do Relatório Anual de Segurança Viária da Transalvador mostram que motociclistas e pedestres continuam entre os grupos mais vulneráveis no trânsito da capital. Em 2024, as mortes envolvendo ocupantes de motocicletas cresceram mais de 15% em relação ao ano anterior, acumulando alta de 50% em dois anos. No período, foram registrados 75 óbitos e 3.550 feridos entre condutores e passageiros de motocicletas, o equivalente a 50,7% das mortes e 75,2% dos feridos no trânsito de Salvador.
Os atropelamentos também apresentaram crescimento. As mortes de pedestres passaram de 36 para 57 no mesmo período, um aumento de 58%.
Levantamento da Transalvador com base nos registros de sinistros entre 2020 e 2024 aponta a Avenida Paralela como um dos principais pontos críticos da cidade em relação aos acidentes com vítimas fatais. O estudo também identifica elevada incidência de ocorrências na Avenida Afrânio Peixoto (Suburbana), no corredor da BR-324, na região central — incluindo as avenidas Bonocô e Antônio Carlos Magalhães —, além da Cidade Baixa, do Comércio e da Orla Marítima.
Apesar da preocupação com esses trechos, Salvador encerrou 2025 com 132 mortes no trânsito, uma redução de 11% em comparação com o ano anterior. Ainda assim, o número permanece acima do menor índice da série histórica, registrado em 2022, quando a capital contabilizou 111 óbitos.
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