Argentina é favorecida na Copa? BBC analisa arbitragem, pênaltis e chave

Lionel Messi é jogado para cima pelos seus companheiros de Seleção. Foto: Jacob Kupferman/AP

O avanço da Argentina às quartas de final da Copa do Mundo de 2026 reacendeu uma série de questionamentos sobre possíveis favorecimentos à atual campeã mundial. Depois de eliminar Cabo Verde e Egito por 3 a 2, a equipe comandada por Lionel Messi passou a ser alvo de críticas por decisões de arbitragem, pela definição da chave do torneio e até pelas escolhas da FIFA.

As reclamações ganharam força após a vitória sobre o Egito nas oitavas de final. A federação egípcia pediu que a FIFA afastasse a equipe de arbitragem responsável pela partida, alegando erros graves e tratamento privilegiado à Argentina e a Messi.

O técnico egípcio, Hossam Hassan, afirmou que sua seleção foi “tratada de forma injusta” e insinuou que havia interesse em manter o campeão mundial vivo na competição.

“Talvez quisessem manter o campeão do mundo no torneio. Talvez quisessem que Messi continuasse na disputa.”

Embora a declaração tenha alimentado teorias de favorecimento, as decisões mais polêmicas também encontram respaldo nas interpretações das regras.

A equipe de esportes da BBC fez um raio-X da trajetória do time argentino no Mundial.

O gol anulado do Egito

O principal lance ocorreu quando Mostafa Zico marcou um golaço, posteriormente anulado após revisão do VAR.

A arbitragem entendeu que Marwan Attia pisou no pé de Lisandro Martínez no início da jogada. A decisão gerou revolta entre os egípcios.

Já nos minutos finais, antes do gol da vitória argentina, o Egito pediu dois pênaltis: um por suposto agarrão em Hamdi Fathy e outro após Mohamed Salah alegar ter sido derrubado por Julián Álvarez.

Nenhum dos lances foi considerado falta suficiente para marcação da penalidade.

As decisões seguem sendo controversas, mas não constituem prova de manipulação do resultado.

Messi escapou de expulsão no início da Copa

Outro episódio frequentemente citado aconteceu ainda na fase de grupos.

Messi acertou a parte superior da panturrilha do capitão da Argélia, Aïssa Mandi, em lance semelhante ao que resultou na expulsão do atacante Folarin Balogun após revisão do VAR.

O argentino sequer recebeu cartão amarelo. Caso tivesse sido expulso, cumpriria suspensão e deixaria de marcar cinco dos oito gols que soma até aqui na competição.

Argentina recebe poucos cartões

A Argentina recebe um cartão amarelo a cada 19,7 faltas cometidas.

Entre todas as seleções do Mundial, apenas República Tcheca, Noruega e Tunísia apresentam uma proporção menor de advertências em relação ao número de faltas.

A comparação com a Inglaterra é significativa: os ingleses recebem um amarelo a cada 7,7 infrações, embora tenham cometido menos faltas que os argentinos.

Os dados mostram que a seleção sul-americana tem sido punida com menor frequência.

Árbitros argentinos em França x Marrocos

Outro ponto que provocou discussões foi a escala de arbitragem para França x Marrocos.

Pela primeira vez no torneio, todos os integrantes da equipe de arbitragem de campo pertencem ao mesmo país: Argentina.

Embora não haja qualquer indício de falta de imparcialidade do árbitro Facundo Tello, críticos apontam que a escolha cria um problema de imagem, já que uma eliminação francesa beneficiaria diretamente o caminho argentino na competição.

Chave do Mundial favoreceu os favoritos

Antes do sorteio da Copa, a FIFA promoveu uma alteração no formato da chave.

As quatro seleções mais bem colocadas no ranking mundial — França, Argentina, Espanha e Inglaterra — foram distribuídas em quadrantes diferentes.

Com isso, caso liderassem seus grupos, só poderiam se enfrentar nas semifinais.

Na prática, a Argentina teve um caminho mais acessível.

Até agora eliminou Cabo Verde (67º do ranking) e Egito (29º), ambos por 3 a 2.

Nas quartas enfrentará a Suíça (19ª), absolutamente medíocre e que passou raspando pela fraca Colômbia.

Enquanto isso, a Espanha já eliminou Portugal (5º) e encara agora a Bélgica (9ª), enquanto a França enfrenta o Marrocos (7º).

Histórico de decisões favoráveis

Na primeira edição do Mundial de Clubes ampliado, em 2025, o Inter Miami CF foi escolhido como representante dos Estados Unidos mesmo sem conquistar o título da liga de futebol, vencido pelo LA Galaxy.

A decisão garantiu a presença de Messi na partida de abertura do torneio.

Argentina também lidera em pênaltis

Outro dado que chama atenção envolve as penalidades.

Na conquista da Copa de 2022, a Argentina estabeleceu recorde ao receber cinco pênaltis em uma única edição.

Em 2026, volta a liderar o ranking com três cobranças a favor — embora Messi tenha desperdiçado duas delas, diante de Áustria e Egito.

Inglaterra e Suíça receberam dois pênaltis cada, enquanto Bélgica, França e Noruega tiveram apenas um.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/argentina-favorecida-copa-bbc-raio-x/