Entidades empresariais do Brasil e dos Estados Unidos intensificaram a pressão por um acordo que evite novas tarifas contra produtos brasileiros às vésperas da decisão final do governo de Donald Trump. A medida em discussão prevê uma sobretaxa de 25% no âmbito da investigação comercial aberta pela Seção 301.
A Amcham, a Confederação Nacional da Indústria e a U.S. Chamber of Commerce enviaram nesta quinta-feira (9) uma carta a autoridades dos dois países defendendo uma solução negociada de curto prazo. O documento pede mais tempo para as tratativas entre Brasília e Washington antes da eventual aplicação da tarifa.
No Brasil, a carta foi enviada ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, os destinatários foram Jamieson Greer, representante comercial norte-americano, e Marco Rubio, secretário de Estado.
As entidades afirmam que a negociação é o caminho mais eficaz para ampliar oportunidades econômicas, fortalecer a competitividade e evitar prejuízos a empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países. O texto defende que os governos priorizem uma saída diplomática em vez da imposição de novas barreiras comerciais.

Como prioridade imediata, o setor empresarial propõe ampliar o acesso a mercados para produtos industriais, bens de capital, infraestrutura ligada à inteligência artificial e data centers. A carta também cita cooperação regulatória nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde e de equipamentos médicos.
O documento ainda sugere ampliar a cooperação em minerais críticos, acelerar a análise de patentes no Brasil, reforçar o combate à pirataria, estender a moratória da Organização Mundial do Comércio sobre tarifas para transmissões eletrônicas e implementar integralmente o Protocolo Anticorrupção do ATEC.
“O avanço desses temas por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”, diz a carta.
O movimento ocorre depois de Greer afirmar que a decisão sobre a investigação comercial contra o Brasil será anunciada “muito em breve”. O chefe do USTR disse que mantém conversas frequentes com o governo brasileiro, mas reconheceu que ainda existe “muita distância” entre os dois lados. Caso Trump aprove a medida, a sobretaxa deverá entrar em vigor em 15 de julho.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/empresarios-brasil-eua-acordo-tarifaco-trump/

