A China recuperou pela primeira vez o primeiro estágio de um foguete orbital e alcançou um marco na disputa tecnológica com os Estados Unidos. O feito ocorreu nesta sexta-feira (10), durante o voo inaugural do Long March 10B, lançado da ilha de Hainan com um satélite a bordo.
Cerca de seis minutos depois de se separar do estágio superior, o propulsor retornou verticalmente e foi capturado por uma rede instalada sobre uma plataforma no Mar da China Meridional. Segundo a estatal China Aerospace Science and Technology Corporation, foi a primeira recuperação controlada de um foguete realizada pelo país e a primeira operação do tipo no mundo com um sistema de redes.
O modelo dispensa as pernas usadas pelo Falcon 9, da SpaceX, para pousar em plataformas ou bases terrestres. O Long March 10B utiliza ganchos para se prender à estrutura tensionada no navio, solução que reduz o peso do foguete, economiza combustível e permite transportar uma carga maior.
O veículo tem cerca de 63 metros de altura e pode levar 16 toneladas à órbita baixa da Terra quando configurado para reutilização. A China pretende usar novamente o estágio recuperado em um lançamento até o fim de 2026, passo necessário para demonstrar que o sistema pode operar regularmente e reduzir os custos das missões.
O avanço diminui a distância tecnológica, mas ainda não coloca Pequim no mesmo nível da indústria espacial estadunidense. A SpaceX realizou o primeiro pouso orbital do Falcon 9 em 2015 e já acumulou mais de 600 recuperações. A empresa de Elon Musk também reutilizou um único propulsor 36 vezes, enquanto a China acaba de concluir seu primeiro teste bem-sucedido.
A reutilização é considerada estratégica porque permite lançar mais satélites em menos tempo e com custos menores. A tecnologia pode acelerar a expansão das constelações chinesas de comunicação e observação da Terra, além de fortalecer a capacidade do país de manter presença constante em órbita.
O Long March 10B também integra a família de foguetes desenvolvida para o programa lunar chinês. Pequim pretende enviar astronautas à Lua antes de 2030 e aposta em veículos reutilizáveis para ampliar o ritmo de lançamentos. A captura no mar não encerra a vantagem dos Estados Unidos, mas mostra que a corrida espacial passou a ter um novo competidor capaz de transformar experiências em tecnologia própria.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/china-captura-foguete-com-rede-em-operacao-inedita-no-mundo/

