Jair Bolsonaro apoia Flávio em carta e ignora Michelle

A carta divulgada por Flávio Bolsonaro, e Jair abraçando o filho. Fotomontagem: Reprodução

A carta assinada por Jair Bolsonaro e lida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) neste sábado (11) vai além de uma manifestação de apoio à pré-candidatura do filho ao Planalto. O texto funciona como uma tentativa de encerrar disputas internas, enquadrar aliados e reafirmar quem fala em nome do ex-presidente durante a crise aberta no bolsonarismo.

Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar pela tentativa de golpe de Estado, chama Flávio de “meu pré-candidato” e “meu porta-voz”. Ao concentrar as duas funções no filho, o ex-presidente procura bloquear interpretações concorrentes sobre suas decisões e reduzir o espaço de outros integrantes do grupo político, inclusive dentro da própria família.

A mensagem mais evidente é dirigida aos aliados que ainda resistem à candidatura do senador. “O momento é de arregaçar as mangas, deixar de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro”, diz a carta. A formulação transforma divergências políticas em obstáculos que deveriam ser abandonados em nome da unidade.

O silêncio sobre Michelle Bolsonaro também é parte do recado. A ex-primeira-dama não é citada, embora a carta tenha sido divulgada em meio ao confronto entre ela e Flávio. Ao evitar qualquer referência direta, Bolsonaro não amplia publicamente a crise, mas deixa claro que sua prioridade, naquele momento, é blindar o projeto presidencial do filho.

Flávio explicitou essa leitura depois de apresentar a carta em uma transmissão no YouTube. O senador afirmou que há pessoas “boicotando” sua candidatura e disse que a definição de um porta-voz serviria para impedir “falas conflituosas” e “direções diferentes”. Na prática, usou a mensagem do pai para reivindicar autoridade sobre os rumos do bolsonarismo.

O senador também tratou a carta como um ultimato para que aliados “caiam dentro” e “vistam a camisa” de sua pré-candidatura. O lançamento oficial está previsto para o dia 25, em São Paulo, e o texto busca reduzir resistências antes do evento. A cobrança de unidade revela que a candidatura ainda enfrenta dificuldades para se impor até mesmo dentro do próprio campo político.

A disputa ganhou força depois que Michelle divulgou um vídeo no qual acusou Flávio de agir com rispidez e afirmou ter sido desrespeitada nas articulações eleitorais do PL. Ela também discordou da estratégia do partido no Ceará e defendeu nomes diferentes dos apoiados pelo senador. Após o episódio, deixou a presidência do PL Mulher.

A carta, portanto, não resolve o conflito, mas estabelece uma hierarquia. Bolsonaro evita confrontar Michelle diretamente, consagra Flávio como seu representante e avisa aos aliados que movimentos paralelos não terão sua chancela. O pedido público de unidade expõe, ao mesmo tempo, o tamanho da divisão que o grupo tenta esconder.

 

 

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/os-recados-escondidos-na-carta-de-bolsonaro-em-defesa-de-seu-filho-flavio/