“Banalização do mal”: a forte fala de Henrique Vieira sobre o racismo da torcida argentina

O deputado federal Henrique Vieira (PSOL-RJ) publicou um vídeo em seu perfil no Instagram que começa com a reprodução de trechos do cântico racista e transfóbico entoado por torcedores argentinos durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022. Na sequência, o parlamentar, que também é pastor, grava um comentário próprio condenando o avanço do discurso de ódio racial.

O trecho reproduzido no início da publicação remete a um episódio registrado no canal argentino TyC Sports durante o Mundial do Catar.

A letra atacava a origem nigeriana e camaronesa dos pais do atacante francês Kylian Mbappé e trazia referência transfóbica à modelo Ines Rau, então associada ao jogador pela imprensa esportiva. O caso repercutiu internacionalmente após ser divulgado nas redes sociais em 2022 e ser repetido em 2024 pelos jogadores da seleção argentina após a vitória na Copa América.

“É preciso dizer que isso não é aceitável, não está na boca simplesmente de um grupo de racistas criminosos. Isso está ganhando fôlego no mundo, na boca de políticos, de pessoas com autoridade, com influência, uma certa banalização do mal”, afirmou Henrique Vieira.

A publicação de Vieira ocorre, no entanto, em meio a casos concretos e recentes de racismo registrados durante a atual edição do Mundial, sediada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Em 3 de julho, durante a vitória da Argentina sobre Cabo Verde, em Miami, o influenciador norte-americano Darren Jason Watkins Jr., o IShowSpeed, foi chamado de “macaco” por uma torcedora argentina enquanto usava a camisa da seleção africana durante o jogo da vitória da Argentina sobre o Egito, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.

“O final disso é sempre a barbárie, é sempre o genocídio, é sempre a licença para sair matando. Primeiro você mata simbolicamente, primeiro você retira da pessoa a sua humanidade e depois é licença para matar sob o silêncio, a indiferença ou o aplauso.”

Veja o vídeo na íntegra:

https://www.instagram.com/reel/DarLUNUh04Y/

A Fifa confirmou, na mesma semana, a abertura de investigação sobre os episódios envolvendo torcedores argentinos.

Também na primeira semana de julho, a senadora paraguaia Celeste Amarilla, do Partido Liberal Radical Autêntico, publicou mensagens com conteúdo racista contra Mbappé nas redes sociais, após a eliminação do Paraguai para a França nas oitavas de final.

Mbappé classificou publicamente as declarações da parlamentar como “desprezível” e “indigna” de seu cargo. A Federação Francesa de Futebol encaminhou o caso ao Ministério Público da França, e o governo paraguaio emitiu nota oficial repudiando a fala da senadora.

Segundo levantamento da Fifa a partir do Serviço de Proteção às Redes Sociais, mais de 6 milhões de publicações foram monitoradas durante a fase de grupos do torneio, das quais 225 mil foram encaminhadas para revisão humana. O abuso racial representou 11% dos conteúdos identificados como abusivos, a categoria mais recorrente entre as manifestações de ódio detectadas.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/banalizacao-do-mal-a-forte-fala-de-henrique-vieira-sobre-o-racismo-da-torcida-argentina/