O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), chamou Eduardo Cunha de “mestre” ao receber a deputada federal Dani Cunha no partido de Jair Bolsonaro. A declaração, feita durante o ato de filiação em março, resume uma aliança iniciada antes do bolsonarismo e hoje abrigada pela principal legenda do movimento.
Ao apresentar a nova filiada, Sóstenes prometeu apoio político à parlamentar e ressaltou a ligação familiar com o ex-presidente da Câmara. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também participou da cerimônia.
“Ela é uma parlamentar talentosa, brilhante, filha de um mestre, Eduardo Cunha”, afirmou Sóstenes.
A declaração foi reproduzida na página oficial do líder do PL. Na gravação, Dani Cunha agradece a recepção fazendo um coração com as mãos e vestindo uma camisa do partido.
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Sóstenes Cavalcante cresceu sob o comando de Eduardo Cunha
A palavra usada por Sóstenes tem lastro político. Ele chegou à Câmara em 2015 como apoiador da candidatura de Eduardo Cunha à presidência da Casa. Depois da vitória do então peemedebista, passou a integrar seu grupo de sustentação, descrito à época como a “tropa de choque” de Cunha.
Naquele mesmo ano, Eduardo Cunha desarquivou o Estatuto da Família e determinou a instalação da comissão especial responsável por analisar o projeto. Sóstenes foi eleito presidente do colegiado, segundo registro da Câmara dos Deputados.
A proposta restringia o conceito de família à união entre um homem e uma mulher. A articulação aproximou o comando da Câmara da bancada evangélica em torno de uma agenda religiosa e conservadora que, anos depois, seria incorporada ao centro do discurso bolsonarista.
Em 2016, Sóstenes votou pela cassação do mandato de Cunha, aprovada por 450 votos a dez. A queda do então presidente da Câmara, porém, não encerrou a influência de sua rede. Em 2024, perfil publicado pela Folha de S.Paulo descreveu Sóstenes como um dos principais herdeiros políticos de Eduardo Cunha.
Dani Cunha defendeu Jair Bolsonaro em 2018
A aproximação da família Cunha com o bolsonarismo tornou-se pública na eleição de 2018. Dani Cunha, que naquele ano disputava uma vaga na Câmara, defendeu o voto em Jair Bolsonaro ainda no primeiro turno. A mensagem foi impulsionada pelo perfil oficial de Eduardo Cunha nas redes sociais.
Dani associou a candidatura de Bolsonaro à rejeição ao PT e ao impeachment de Dilma Rousseff, conduzido pelo pai quando presidia a Câmara. Jair Bolsonaro e o filho Eduardo Bolsonaro haviam participado das articulações pelo afastamento da então presidente.
Em 2022, Eduardo Cunha assumiu diretamente o apoio ao então presidente. Durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, declarou que votaria pela reeleição de Bolsonaro.
“O Bolsonaro representa hoje aquilo que estou enfrentando, que é o PT. Eu sou antipetista”, disse Cunha.
No mesmo ciclo eleitoral, Dani Cunha foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro pelo União Brasil. A vitória devolveu à família um gabinete na Câmara seis anos depois da cassação de Eduardo Cunha.
Ramagem e votações aproximaram Dani Cunha do PL
Na eleição municipal de 2024, pai e filha apareceram na convenção de Alexandre Ramagem, candidato do PL à Prefeitura do Rio e nome escolhido por Jair Bolsonaro. A Fórum mostrou a participação de Dani e Eduardo Cunha no ato, embora o material divulgado por Ramagem não destacasse o apoio dos dois.
Ainda filiada ao União Brasil, Dani também acompanhou ofensivas do bolsonarismo no Congresso. Em 2025, votou pela urgência do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, medida defendida pelo PL e que poderia beneficiar Jair Bolsonaro.
Em maio daquele ano, a deputada apoiou a resolução que suspendeu a ação penal contra Ramagem no Supremo Tribunal Federal. O texto apresentado pelo PL foi aprovado por 315 votos e poderia produzir efeitos sobre a ação que também alcançava Bolsonaro, como mostrou a cobertura da Fórum.
Dani entra no PL e Eduardo Cunha apoia Flávio Bolsonaro
A filiação de Dani Cunha ao PL, em março de 2026, transformou o alinhamento político em vínculo partidário. O perfil oficial da Câmara já registra a parlamentar como integrante da bancada do PL do Rio de Janeiro.
Eduardo Cunha também ampliou a ponte com a família Bolsonaro. Em junho, encontrou-se com Flávio Bolsonaro em Belo Horizonte e apresentou o senador como “líder do campo conservador”. Depois, declarou apoio à candidatura presidencial do filho mais velho de Jair Bolsonaro.
A Fórum mostrou que Flávio Bolsonaro não destacou o encontro em sua agenda nas redes sociais, embora Eduardo Cunha tenha divulgado publicamente a reunião.
Da defesa de Bolsonaro em 2018 à entrada de Dani no PL em 2026, a aproximação percorreu campanhas eleitorais, votações no Congresso e alianças no Rio de Janeiro. O “mestre” citado por Sóstenes liga a antiga tropa de choque de Eduardo Cunha à atual estrutura partidária do bolsonarismo.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/sostenes-cavalcante-cunha-mestre/

